Arquivo para Red Hot + Rio 2

banho de loja

Posted in estante, musique non stop with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 26/07/2011 by coelhoraposo

Há muitos anos que meu hobby favorito é me perder numa loja de discos. Sempre fui um rato de sebo. Quem me conhece, sabe que sou um apaixonado por música e discos em vinil. Nesta nova visita ao Canadá não foi diferente. Tive que comprar outra mala praticamente só para guardar os discos que trouxe de lá. E ao contrário de antes, quando comprava vorazmente, optei só pelo crème de la crème, mesmo assim foi um bocado de coisa que trouxe das andanças por Montréal (lojinha do Festival de Jazz e a Cheap Thrills) e Toronto (a finada Criminal Records, a monumental Sonic Boom, a aconchegante Kops Records e outras que fui conhecendo na companhia da queridíssima Erica).

Enfim, esses bolachões e esses cd’s dizem muito sobre mim e estou muito feliz em tê-los comigo! (O que me lembra que preciso URGENTEMENTE trazer meus discos de Manaus, onde encontram-se em situação de armazenamento deplorável. Qualquer dica de transportadora será bem vinda.) Mas então, eis o que trouxe:

  • Aux Armes Et Cætera, Serge Gainsbourg – mesmo eu, que tenho sérias restrições ao reggae, adoro…
  • Bonnie And Clyde, Serge Gainsbourg – Bardot + Gainsbourg = ❤
  • Curtis, Curtis Mayfield – depois de conhecer através de um cd de banca de revista, enfim o original LP do fenomenal álbum de Mayfield
  • Ethio Jazz, Mulatu Astatke – tava mais do que na hora de conhecer Mulatu Astatke…
  • Histoire de Melody Nelson, Serge Gainsbourg – ah, melody…
  • In Rainbows, Radiohead – tá na hora de conhecer radiohead de verdade, né?
  • Initials B.B., Serge Gainbourg – clássica compilação de Gainsbarre
  • Jane Birkin/Serge Gainsbourg,  Serge Gainsbourg – para além de je t’aime… moi non plus
  • My Life in the Bush of Ghosts, Brian Eno + David Byrne – ❤ ❤ ❤
  • New Skin For The Old Ceremony, Leonard Cohen – pra mim, disparado o melhor de Cohen
  • Picnic Suite, Claude Bolling/Alexandre Lagoya/Jean-Pierre Rampal – sempre gostoso de ouvir os discos do Bolling
  • Red Hot + Rio 2, vários – para fazer par ao Red Hot + Rio de 15 anos atrás…
  • Roots, Curtis Mayfield – outro clássico de Curtis
  • Shaft, Isaac Hayes – Who is the man that would risk his neck for his brother man? (Shaft!)
  • Superfly, Curtis Mayfield – um dos raros momentos em que a trilha-sonora é infinitamente mais importante que o filme em si
  • Talking Book, Stevie Wonder – provavelmente o melhor álbum de Stevie Wonder
  • Tecnicolor – Os Mutantes – porque Mutantes é Mutantes, saca?
  • The Perfect Jazz Collection – Vols. 1 e 2coleção de 50 cd’s com 50 álbuns fundamentais da história do jazz de A a Z – ampliados, remasterizados e tudo por uma pechincha!
  • The Revolution Will Not Be Televised, Gil Scott-Heron – grata surpresa
  • Unknown Pleasures, Joy Division – até então, um prazer desconhecido pra mim
  • Voltaic, Björk – álbum ao vivo da tournée do Volta, mas não registra shows, mas sim os ensaios impecáveis da islandesa

red hot + rio volume 2

Posted in estante, musique non stop, revisão crítica with tags , , , , , , on 19/07/2011 by coelhoraposo

Quinze anos depois de produzir o interessantíssimo Red Hot + Rio, que presta homenagem a Bossa Nova, balançando o coreto com interpretações inesperadamente marcantes (como Cesária Évora, Ryuichi Sakamoto e Caetano cantando “É preciso perdoar” e David Byrne e Marisa Monte cantando “Águas de Março”), a Organização Red Hot, conhecida por angariar fundos para projetos contra a AIDS, lança um robusto álbum duplo como o segundo álbum homenageando a música brasileira.

Este Red Hot + Rio 2 é o décimo-sétimo lançamento da Red Hot, que tem álbuns memoráveis como o Red Hot + Rhapsody (em homenagem a George Gershwin); e homenageia, digamos assim, a tropicália. Segue a mesma fórmula de apresentar remixes, versões mais modernosas e músicas de artistas brasileiros da atualidade  muito boas (outras nem tanto). O resultado final é uma mistura, uma geléia geral como diria o guru da tropicália, Torquato Neto. Mas tenho a leve impressão de que a receita dessa geléia foi um tanto quanto exagerada. Perderam um pouco o ponto. O resultado ficou um tanto quanto esquizofrênico. Mas e daí? Adoro coisas esquizóides mesmo. Então vale a pena sim escutar/baixar/comprar porque os bons momentos das mais de 2 horas de audição acabam por eclipsar os exageros ou os desentendimentos de parte dos intérpretes, produtores etc.

Destaque para “Tropicalia” (Beck + Seu Jorge), “Um Canto de Afoxé para o Bloco do Ilê” (SuperHuman + Cults), “Aquele Abraço” (Forró In The Dark + Brazilian Girls + Angélique Kidjo), “It’s a Long Way” (Apollo Nove + Céu + N.A.S.A.), “A Cidade” (DJ Dolores + Eugene Hutz + Otto + Fred 04 + Isaar), “Bat Macumba” (Of Montreal + Sérgio Dias), “Águas de Março” (Atom + Toshiyuki Yasuda Feat. Fernanda Takai + Moreno Veloso), “Ogodô, Ano 2000” (Javelin + Tom Zé), “O Leãozinho” (Beirut) e uma versão de “Acabou Chorare” que tem um valor histórico à parte por ser interpretada por Bebel Gilberto, a filha daquele que mudou radicalmente o rumo da musicalidade dos Novos Baianos (antes ele já tinha mudado a história da música popular): João Gilberto.

Um destaque individual fica para a cantora/compositora folk californiana chamada Mia Doi Todd, que encara “Canto de Iemanjá”, de Baden Powell e Vinícius com muita atitude (além de um português bem ensaiado, tanto nessa música que faz parte dos Afrosambas, quanto em “Um Girassol da Cor de Seu Cabelo”, de Márcio e Lô Borges). Taí, comprar esse CD valeu a pena só por conhecê-la (ok, isso foi exagero).

Aqui uma provinha do primeiro Red Hot + Rio com a divina Cesária Évora acompanhada de Caetano e Sakamoto:

E agora um pouquinho da Mia Doi Todd, apresentando parte de Canto de Iemanjá (que faz parte de seu último álbum, Cosmic Ocean Ship):