Arquivo para Nara Leão

cinzas

Posted in canções fundamentais, Divã with tags , , , on 17/02/2012 by coelhoraposo

A “Marcha da Quarta-Feira de Cinzas”, canção composta por Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, situa-se na zona de transição entre o “o amor, o sorriso e a flor” da bossa nova e a urgência e a melancolia das canções de protesto. Composta pouco antes do golpe de 1964, ela fala do fim de festa, da tristeza que o fim do carnaval gera: o estado de euforia que logo se transforma nas cinzas do dia-a-dia.

Não foi à toa que esta foi a canção escolhida para abrir o primeiro álbum de Nara Leão, lançado logo após o golpe de 1964. Assim, a canção passou a ser utilizada como metáfora para o período de cinzas e tristeza que se instalara com a ditadura militar.

Mas era preciso cantar, era preciso cantar e alegrar a cidade…

* * *

Mas esta postagem em nada tem a ver com o carnaval ou com a ditadura militar. Esta postagem tem a ver com a canção de Carlinhos Lyra e Vinícius – especificamente a versão abaixo que está em O Poeta e O Violão (1975), de Toquinho e Vinícius; tem a ver com o turbilhão de sensações que toma o meu corpo e povoa minha memória ao escutá-la: amores do passado, amores do presente, alegrias, decepções, esperança e… vida.

E por falar em vida, vida que segue, afinal é preciso cantar. Sempre.

Bom carnaval e tod@s!

elis & nara. nara & elis.

Posted in homenagens, musique non stop with tags , , , , , , , on 19/01/2012 by coelhoraposo

No dia 19 de janeiro de 1982, Nara Leão completou 40 anos de idade.

No dia 19 de janeiro de 1982, Elis Regina morria aos 36 anos de idade.

Hoje, 30 anos depois da morte de Elis, Nara completaria 70 anos, caso o câncer não a tivesse levado.

Elas formam as duas faces da revolução que a década de 60 representou na música brasileira. Foram rivais históricas, a imprensa da época registrou as inúmeras alfinetadas que Elis dava em Nara, acusando-a de “trair todos os movimentos” aos quais ela se associava. Nara nunca foi uma grande cantora, ao contrário do vulcão em permanente erupção que era Elis. Mas Nara era inteligente e tinha o feeling musical que Elis construiu ao longo de sua carreira. Nara abraçou a bossa nova, o morro, a jovem guarda, o tropicalismo. Elis não gostava muito do novo. Nara era elétrica. Elis, acústica. Até no amor, elas foram de certa maneira rivais: Ronaldo Bôscoli foi o grande amor da juventude de ambas. Nara, irrequieta, calculava seus passos musicais. Elis, dona de uma potência vocal única, fazia os compositores irem atrás dela. A grande guinada de Elis se deu quando já era uma cantora estabelecida (graças ao marido e maestro, César Camargo Mariano). A guinada de Nara se deu antes mesmo do primeiro álbum dando voz ao morro e abandonando o “amor, o sorriso e a flor” da Bossa Nova.

Morreram jovens. Fizeram muito.

Que tenham feito as pazes, porque elas foram o yin e yang da música brasileira.

os 25 álbuns que mudaram o (meu) mundo – as menções honrosas

Posted in Genealogias de minhas paixões, listas, musique non stop, os 25 álbuns que mudaram o (meu) mundo with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 17/08/2011 by coelhoraposo

Quando há mais de um ano decidi fazer uma lista dos álbuns que mudaram a minha forma de escutar música e que me ajudaram a ser o que sou hoje, tive a ambição de delimitar em 5 o número dos discos memoráveis. Logo percebi ser impossível. Terminei em 25.

Para corrigir alguns esquecimentos imperdoáveis, listo mais 10. São dez álbuns que fazem parte do meu universo musical mais restrito e pelos quais tenho carinho especial.

Assim, vejo que 5 se transformaram em 35… Enfim, síntese nunca foi o meu forte.

Agora, quem me conhece sabe que tem um álbum que está faltando nessa longa lista. Alguém se habilita?

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Catavento e Girassol (1996) – Leila Pinheiro

clique para a ficha técnica (Fonte: http://www.discosdobrasil.com.br)

Leila cantando as composiçõoes de Guinga e Aldir Blanc… lindo de chorar

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Corredor Polonês (1987) – Patife Band

clique para ouvir Fernando Pessoa, versão punk dodecafônico

A energia do punk se encontra com a dodecafonia: explosivo e genial

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Eu e a Bossa (1999) – Johnny Alf

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Garimpado nos saldões de CD da vida, uma amostra da pedra preciosa que foi mestre Alf

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Máquina de Escrever Música (2000) – Moreno +2

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Felizmente nem só de Los Hermanos vive a cena carioca metida a hipster. Evoé Moreno! Evoé Domenico! Evoé Kassin!

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Money for Nothing (1988) – Dire Straits

clique para a ficha técnica (Fonte: http://www.allmusic.com)

Porque o primeiro bolachão a gente nunca esquece…

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Nara (1964) – Nara Leão

clique para a ficha técnica (Fonte: http://www.discosdobrasil.com.br)

A musa da Bossa Nova decide subir o morro para mostrar que agora era a vez deles: dela e do morro

Rain Dogs (1985) – Tom Waits

clique para review do álbum (Fonte: http://www.allmusic.com)

Tom Waits no auge de sua “margenialidade”

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Roberto Carlos (1971) – Roberto Carlos

clique para a ficha técnica (Fonte: http://www.discosdobrasil.com.br)

Todos que torcem o nariz para o rei mesmo após a audição deste clássico de 71, estão surdos!

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Rumo aos Antigos (1980) – Grupo Rumo

clique para a ficha-técnica (Fonte: http://www.discosdobrasil.com.br)

Porque para ousar fazer o novo, é preciso estudar e reinventar o passado. (Ouça no grooveshark)

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Trem Caipira (1985) – Egberto Gismonti

clique para a ficha-técnica (Fonte: http://www.discosdobrasil.com.br)

Gismonti, Villa-Lobos e sintetizadores: sintonia fina

top 5 – cantoras brasileiras (update!)

Posted in listas, musique non stop with tags , , , , , , , , , on 13/08/2010 by coelhoraposo

já que este blog está numa fase de listas musicais, aqui vai a das cantoras brasileiras:

ATENÇÃO! Retirei Elis Regina da lista porque, mesmo sabendo que toda unanimidade é burra, toda regra tem sua exceção e no caso, Elis é unanimidade, é hors-concours!

  • Elizeth Cardoso – bem ela é A divina, né? Precisa dizer mais?;
  • Elza Soares – precisa explicar?
  • Gal Costa – pela capacidade de ser a porta-voz de toda uma geração e carregar o tropicalismo nas costas, na sensualidade e na voz;
  • Maria Bethânia – por ser a Maria Bethânia;
  • Nara Leão – porque além de ser uma fofíssima ela tinha um talento cerebral e um poder aglutinador fantásticos.

Mênção honrosa para Ná Ozzetti porque é a única cantora surgida nos últimos 30 anos que realmente tem curriculum, talento e merecimento para pleitear uma sexta vaga na lista acima.