Arquivo para Leonard Cohen

15 dias

Posted in itinerários, musique non stop, pequenos grandes prazeres, vomitando palavras with tags , , , , , , , , , on 05/07/2012 by coelhoraposo

Há exatos 4 meses decidi que passaria minhas férias na Europa com direito a uma esticada até o Japão para visitar a Lisa.  Descarreguei um caminhão de milhas do Smiles e emiti meus bilhetes. Mas como comigo tudo é muito inconstante, logo veio o desânimo: depois de programada a viagem, bateu aquela sensação imperdoável e macunaímica do “ai, que preguiça…”

Mas o tempo foi passando e, devido às vicissitudes da vida, a volta ao mundo em 30 dias foi restringida ao velho continente europeu. (O projeto verão japonês talvez se transforme em projeto primaveril com direito a assistir o espetáculo do Hanami no ano que vem.)

Mas depois de um certo frio na barriga, finalmente fechei as datas, comprei as passagens internas e estou começando hoje a contagem regressiva para o verão: rever Paris, visitar amigos queridos do meu coração, conhecer lugares novos, procurar sebos de vinil, tomar uns bonsdrink, ver a crise de perto e, claro, como não podia deixar de ser, assistir a shows memoráveis

Quanto aos shows só digo o seguinte:

– Dia 04/08:

– Dia 10/08:

e

– Dia 11/08:

-Dia 12/08:

e o gran finale, dia 17/08:

quadratura do círculo

Posted in Divã, itinerários with tags , , , , , , , , , , , , on 09/06/2012 by coelhoraposo

Há algum tempo percebo que algumas personagens da ficção dizem mais sobre mim do que eu poderia supor. Assim, tal como a inglória tentativa de um matemático em criar um quadrado a partir de um circulo, acho que finalmente encontrei os quatro vértices dessa figura geométrica que poderia representar minha vida (ou pelo menos a forma como me relaciono com o mundo):

  • Rob Fleming (de Alta Fidelidade) e sua insatisfação crônica – o protagonista do romance de Nick Hornby, tem o sobrenome trocado para Gordon na adaptação cinematográfica dirigida por Stephen Frears;
  • Jean Sorel (de O Vermelho e o Negro, romance magistral de Stendhal) e sua ambição por vezes desmedida;
  • Lawrence Breaveman (de The Favourite Game, romance de Leonard Cohen) e sua irresponsabilidade afetiva e, por fim;
  • Antoine Doinel (alter-ego de Truffaut em 5 de seus filmes) e seu romantismo pseudo-intelectual que, no fundo, esconde um canastrão de última…

o príncipe das astúrias

Posted in canções fundamentais, Genealogias de minhas paixões, homenagens, musique non stop, realpolitik with tags , , , on 09/01/2012 by coelhoraposo

Para mim, o maior artista vivo de todo o espaço sideral se chama Leonard Cohen. É um artista completo. Poeta, romancista, cantor, compositor e um perfomer. E que performer!

Um exemplo? Imaginemos a seguinte cena:

São 4 horas da manhã. Algo como 600 mil pessoas encontram-se entre o sono provocado pelo cansaço de 5 dias de um megafestival caótico e pelo frenesi após a conturbada apresentação de Jimi Hendrix e sua Experience (e que seria a última grande aparição de Hendrix, que morreria 3 semanas depois), com direito a palco sendo incendiado. Coube a Joan Baez tentar juntar os cacos e continuar as apresentações.

São 4 horas da manhã. A produção do festival vai até o trailer da próxima atração para acordar um já senhor de 35 anos, com 3 aclamados livros de poesia, 2 romances (magníficos, por sinal) e 2 álbuns (fundamentais para qualquer amante da música), para se dirigir ao palco do Festival da Ilha de Wight.

São 4 horas da manhã. As 600 mil pessoas entre o sono e o frenesi de um festival marcado pela desorganização e pela violência iminente observam a entrada no palco de um Leonard Cohen transmitindo… paz. Não uma paz política, mas uma paz espiritual que logo se espalha por todos. Ao pedir qque todos acendam seus fósforos, isqueiros e afins para olhar a pessoa ao lado, o que Cohen está dizendo é: “ele/ela é igual a você, não é melhor nem pior, simplesmente igual.” E arremata com sua maturidade poética e política lembrando o público flower power, que eles ainda precisavam de muito feijão com arroz antes de pensar em mudar o mundo: “vocês são uma grande nação, mas ainda são fracos. Ainda muito fracos. Precisam se fortalecer muito mais para poder exigir o direito à terra…”

E segue com sua magistral “Bird On The Wire”:

Like a bird on the wire,
like a drunk in a midnight choir
I have tried in my way to be free.
Like a worm on a hook,
like a knight from some old fashioned book
I have saved all my ribbons for thee.
If I, if I have been unkind,
I hope that you can just let it go by.
If I, if I have been untrue
I hope you know it was never to you. 

Like a baby, stillborn,
like a beast with his horn
I have torn everyone who reached out for me.
But I swear by this song
and by all that I have done wrong
I will make it all up to thee.
I saw a beggar leaning on his wooden crutch,
he said to me, “You must not ask for so much.”
And a pretty woman leaning in her darkened door,
she cried to me, “Hey, why not ask for more?”

Oh like a bird on the wire,
like a drunk in a midnight choirhave tried in my way to be free.

*  *  *

Assim nada melhor para iniciar o ano de 2012 neste blog do que homenagear àquele que foi e continua sendo a trilha-sonora dos momentos mais importantes de minha vida. Evoé, Mr. Cohen!

Segue abaixo o discurso de recebimento do Prêmio Príncipe das Astúrias de 2011:

E aqui a transcrição do discurso, em espanhol e em inglês

PS. a apresentação  de Leonard Cohen na Ilha de Wight está disponível em CD/DVD/bluray etc… Faça um favor a você mesmo e corra atrás!

atualizando a discoteca

Posted in estante, Genealogias de minhas paixões, musique non stop with tags , , , , , , , , , on 05/12/2011 by coelhoraposo

Sim, eu sou daqueles que ainda compram discos, não somente vinis mas cd’s também. Ir a uma loja para comprar discos é algo cada vez mais raro num mundo internético onde tudo está disponível para baixar, ouvir etc e tal. Podem tirar qualquer tipo de conclusão disso, mas gosto da posse e, em muitos casos, compro como uma forma de estimular e apoiar meus artistas preferidos que, em sua maioria, são independentes e têm na mídia física uma maneira de divulgação e, obviamente, de renda.

Outra paixão que tenho é a pechincha. Durante anos fui um rato de sebo e um garimpador quase profissional nas cestas de promoção de cd’s dos carrefour e das lojas americanas da vida. Foi assim, por exemplo, que comprei toda a discografia (até àquela época) de Nick Cave And The Bad Seeds a R$ 4,90 cada exemplar no Carrefour. Ou então, o fantástico Itamar Assumpção Canta Ataulfo Alves, creio que na mesma compra do Nick Cave (e pelo mesmo preço) – responsável por me apresentar o gênio no Nego Dito. Já gastei uma pequena fortuna em vinis na Musical Center, Sebo do Messias, Pindorama  e, claro, na meca da discofilia nacional: a Baratos Afins.

Nos últimos anos tal prazer se arrefeceu devido a uma série de fatores, mas o primordial foi o de não ter onde guardá-los e me dói o coração toda vez que lembro que boa parte dos meus discos estão mal acondicionados em um depósito em Manaus enquanto não consigo resgatá-los e trazê-los para Brasília… Porém contudo todavia, nos último ano fiz quatro compras de atacado que merecem destaque: uns 40 (com coisa muito boa e algumas nem tanto) de uma loja que havia fechado as portas, a coleção magnífica do SESC de música brasileira , meus preciosos vinis e a coleção de jazz adquiridos recentemente no Canadá e os 18 títulos que comprei do gente fina André Panizza, amigo do amigo Palandi, que compartilha comigo dessa paixão pela compra de música em mídia física.

Nada como um monte de música boa para acompanhar uma fase de mudanças…

*  *  *

os mimos:

NOTA: Segundo Panizza, o créme de la créme desses discos atende pelo nome de “Teenager Of The Year”, do vocalista do Pixies. Se é o melhor eu não sei, mas ao escutá-lo no carro enquanto enfrentava o trânsito da EPTG, tive a certeza de que fiz uma ótima aquisição.

banho de loja

Posted in estante, musique non stop with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 26/07/2011 by coelhoraposo

Há muitos anos que meu hobby favorito é me perder numa loja de discos. Sempre fui um rato de sebo. Quem me conhece, sabe que sou um apaixonado por música e discos em vinil. Nesta nova visita ao Canadá não foi diferente. Tive que comprar outra mala praticamente só para guardar os discos que trouxe de lá. E ao contrário de antes, quando comprava vorazmente, optei só pelo crème de la crème, mesmo assim foi um bocado de coisa que trouxe das andanças por Montréal (lojinha do Festival de Jazz e a Cheap Thrills) e Toronto (a finada Criminal Records, a monumental Sonic Boom, a aconchegante Kops Records e outras que fui conhecendo na companhia da queridíssima Erica).

Enfim, esses bolachões e esses cd’s dizem muito sobre mim e estou muito feliz em tê-los comigo! (O que me lembra que preciso URGENTEMENTE trazer meus discos de Manaus, onde encontram-se em situação de armazenamento deplorável. Qualquer dica de transportadora será bem vinda.) Mas então, eis o que trouxe:

  • Aux Armes Et Cætera, Serge Gainsbourg – mesmo eu, que tenho sérias restrições ao reggae, adoro…
  • Bonnie And Clyde, Serge Gainsbourg – Bardot + Gainsbourg = ❤
  • Curtis, Curtis Mayfield – depois de conhecer através de um cd de banca de revista, enfim o original LP do fenomenal álbum de Mayfield
  • Ethio Jazz, Mulatu Astatke – tava mais do que na hora de conhecer Mulatu Astatke…
  • Histoire de Melody Nelson, Serge Gainsbourg – ah, melody…
  • In Rainbows, Radiohead – tá na hora de conhecer radiohead de verdade, né?
  • Initials B.B., Serge Gainbourg – clássica compilação de Gainsbarre
  • Jane Birkin/Serge Gainsbourg,  Serge Gainsbourg – para além de je t’aime… moi non plus
  • My Life in the Bush of Ghosts, Brian Eno + David Byrne – ❤ ❤ ❤
  • New Skin For The Old Ceremony, Leonard Cohen – pra mim, disparado o melhor de Cohen
  • Picnic Suite, Claude Bolling/Alexandre Lagoya/Jean-Pierre Rampal – sempre gostoso de ouvir os discos do Bolling
  • Red Hot + Rio 2, vários – para fazer par ao Red Hot + Rio de 15 anos atrás…
  • Roots, Curtis Mayfield – outro clássico de Curtis
  • Shaft, Isaac Hayes – Who is the man that would risk his neck for his brother man? (Shaft!)
  • Superfly, Curtis Mayfield – um dos raros momentos em que a trilha-sonora é infinitamente mais importante que o filme em si
  • Talking Book, Stevie Wonder – provavelmente o melhor álbum de Stevie Wonder
  • Tecnicolor – Os Mutantes – porque Mutantes é Mutantes, saca?
  • The Perfect Jazz Collection – Vols. 1 e 2coleção de 50 cd’s com 50 álbuns fundamentais da história do jazz de A a Z – ampliados, remasterizados e tudo por uma pechincha!
  • The Revolution Will Not Be Televised, Gil Scott-Heron – grata surpresa
  • Unknown Pleasures, Joy Division – até então, um prazer desconhecido pra mim
  • Voltaic, Björk – álbum ao vivo da tournée do Volta, mas não registra shows, mas sim os ensaios impecáveis da islandesa

os 25 álbuns que mudaram o (meu) mundo – parte 2 de 5

Posted in Genealogias de minhas paixões, listas, musique non stop, os 25 álbuns que mudaram o (meu) mundo with tags , , , , , , , , on 31/07/2010 by coelhoraposo

ConSertão, 1982 – Arthur Moreira Lima, Elomar, Paulo Moura & Heraldo do Monte

Desde os tempos imemoriais, os álbuns Cantoria 1, 2 e 3, que reuniam Geraldo Azevedo, Vital Farias, Xangai e Elomar (sendo o volume 3 um álbum solo deste último), a Kuarup Discos sempre se apresentou para mim como a gravadora genuinamente brasileira, preocupada com a perpetuação da música fora do mainstream da indústria fonográfica. Sua coleção é riquíssima e vastíssima, englobando desde álbuns de música instrumental resgatando artistas esquecidos pelo tempo, como álbuns que conseguiram furar o bloqueio das rádios e seus jabás como os da série Cantoria, que se traduziram em sucessos de vendagem.

Assim, quando Mário de Aratanha, fundador e produtor da Kuarup, convidou o trovador nordestino Elomar, o pianista erudito Arthur Moreira Lima, o grande violonista e guitarrista Heraldo do Monte e o recém-falecido maestro Paulo Moura para registrar esse encontro de mestres, talvez já imaginasse que daquele registro sonoro, realizado “ao vivo” sem cortes, remixagens ou qualquer outro artifício técnico, sairia uma das mais belas gravações da música brasileira: composições de Elomar com arranjos fantásticos com direito a solos arrebatadores de Moreira Lima dedilhando um cravo, a interpretação visceral de “Valsa da Dor”, de Villa-Lobos por Paulo Moura, o violão e a guitarra de Heraldo do Monte sempre presente para construir a ponte permanente ligando a música erudita com a música popular transformando tudo em beleza em forma de som. Álbum fundamental para qualquer um que goste Música com “M” maiúsculo.

Contrastes, 1977 – Jards Macalé

Jards Macalé é, sem sombra de dúvida, um dos artistas mais injustiçados da música brasileira. Quando surgiu, no fim da década de 1960, logo se posicionou como um dos líderes da cena musical e sendo o principal artífice do estouro da carreira de Gal Costa, sendo o produtor do show Fa-Tal e também produzindo “Transa”, 1972 de Caetano Veloso. Sua obra “pós-tropicalista” talvez tenha sido a que melhor conseguiu incorporar a contracultura e a efervescência da época: impossível não sintetizar isso tudo na interpretação de Gal Costa para sua clássica “Vapor Barato”, composta com seu parceiro de longa data, Waly Salomão.

Mas em 1977, Macalé emprestou seu talento de produtor a si mesmo e produziu um álbum que representa um mosaico da época: revive sambas clássicos como a faixa-título “Contrastes”, de Ismael Silva, homenageia o grande mestre do samba de breque Moreira da Silva (que será mais uma vez homenageado por Macalé em Macalé interpreta Moreira da Silva), tem Orquestra Tabajara, tem releitura de Walter Franco… Mas o ponto alto está na primeira faixa do lado B: “Negra Melodia” é uma fusão do reggae com a black music fantástica, com uma letra fantástica composta com Waly Salomão.

A contracapa apresenta uma colagem que, como se fosse o Sgt. Peppers, mostra o panteão de heróis de Macalé com a Baía de Guanabara ao fundo. A foto da capa mostrando o seu beijo apaixonado na namorada à época, Ana Miranda causou um desconforto tal no relançamento em CD que fez com que Macalé optasse por seguir o que canta em “Sem Essa”, queimou a capa apagando a ex-namorada da foto: “…fazer um álbum de fotografias pra depois queimar!”

Desire, 1976 – Bob Dylan

Em minhas viagens de férias para Manaus, uma presença constante e marcante foi a do amigo e colaborador de meu pai, Aníbal Lobo. Nas viagens que fazíamos para a fazenda de meu pai, a seleção musical sempre ficava a cargo dele. Foi assim que ouvi infinitamente o álbum Caros Amigos, do Chico Buarque, fui apresentado a Paulinho da Viola, aprendi a fina arte de gravar uma fita K7, um dos prazeres perdidos no tempo.

Foi numa dessas viagens que escutei pela primeira vez uma fita K7 que tinha na capa um cara de chapéu e casaco de pele, cantando a história de um boxeador, um tal Rubin Carter. Era a história de Hurricane. Pra mim, foi a melhor porta de entrada para a obra de Robert Allen Zimmerman, ou simplesmente, Bob Dylan. Para a maioria dos ditos críticos musicais, Desire não está na relação dos melhores de Dylan, mas pra mim ele está no topo: arranjos inspiradíssimos com o violino de (falta o nome da violinista), letras de um Dylan mais próximo da geração beat do que nunca (talvez pela influência maciça de amizade com Allan Ginsberg neste álbum). Simplesmente fantástico.

Essa Tal de Gang 90 & Absurdettes, 1983 – Gang 90 & Absurdettes

Júlio Barroso (1950-1984) foi um dos maiores agitadores culturais deste país. Uma alma em constante ebulição que não se continha em ser um mero apreciador de música: queria resenhar, produzir eventos, discotecar (como fazia na boate Dancin’ Days de Nelson Motta), editar a revista “Música do Planeta Terra” e ser o grande padrinho da grande maioria dos roqueiros da geração da década de 80. Após uma temporada pela Nova Iorque do fim dos anos 70 que via a derrocada da disco e o surgimento de bandas como B 52’s, Talking Heads etc, Júlio Barroso retornou para o Brasil trazendo na bagagem a New Wave, movimento musical que buscava tirar o Rock’n’roll do virtuosismo já vazio do rock progressivo e se sobrepor a música disco. Logo se juntou com jovens dispostos a entrar na empreitada de fazer o mesmo na música brasileira: apresentar uma nova sonoridade para o jovem brasileiro que não se identificava com os já consagrados cânones da MPB e que buscava se inserir no contexto internacional de renovação do rock.

Assim, formou-se a Gang 90 & Absurdettes, liderada por Júlio e que em sua formação original, trazia Herman Torres nas guitarras, Alice Pink Punk e May East nos vocais, Gigante Brasil na bateria entre outros. As letras, compostas em sua maioria por Júlio traziam um frescor para a música brasileira só visto nos anos 60 com os Mutantes: musica leve para um geração que crescia num país fechado e dominado por uma ditadura que definhava. O formato da banda com vocais femininos e a espontaneidade e teatralização das apresentações, foram o ponto de partida para o que logo depois a Blitz faz com Evandro Mesquita, Fernanda Abreu e cia. Com um sucesso estrondoso. A Gang 90 não decolou por vários motivos, um deles era que a pasteurização realizada pela Blitz era algo impensável para Júlio (terminar o album com uma música retratando um sonho com Jack Kerouac não é exatamente o que a indústria busca para vender), mas com certeza o principal motivo foi sua luta para se livrar das drogas e sua morte acidental prematura, aos 34 anos.

Field Commander Cohen: Tour of 1979, 2001 – Leonard Cohen

Leonard Cohen é pra mim, ao lado de Bob Dylan, os dois maiores compositores de língua inglesa (não vou comparar com Cole Porter porque seria covardia). Lembro de quando um colega da faculdade (Rafael na UnB) resolveu vender vários de seus CD’s. Comprei vários: At Folsom Prison, do Johnny Cash, coletânea da Bessie Smith e outras coisas. Dentre os CD’s, comprei este álbum daquele que sempre ouvira falar mas que nunca tinha escutado: Leonard Cohen. Foi amor à primeira vista.

A carreira de Leonard Cohen é peculiar: poeta e romancista proeminente no Canadá, resolveu se aventurar no mundo da música no fim da década de 1960 e, com “Songs of Leonard Cohen”, 1967. A adaptação ao mundo da música foi incrível: sua obra se adaptou perfeitamente ao momento histórico. Mas o mais importante foi perceber que poesia de mais alta lavra pode estar combinada com a música da maneira mais… bela.

Não vou dissertar sobre sua postura política, sobre sua postura espiritual, sobre sua vida. Só digo que ele é um compositor fantástico, cantor peculiar e poeta de mão cheia. Quem o conhece sabe do que estou falando. Quem não o conhece, não sabe o que está perdendo.

ps. outro álbum fundamental de Cohen é “New Skin for the Old Ceremony”, 1974. Procurem, comprem, baixem, escutem: ninguém vai se arrepender!