Arquivo para Emil Cioran

sobre a canalha

Posted in Divã, realpolitik, vomitando palavras with tags , , , , , on 10/07/2012 by coelhoraposo

Em tempos de discussão sobre o Marco Civil da Internet (que não é a minha área. Para aprofundar-se no tema, indico o excelente blog de Paulo Rená, o Hiperfície), cometi um ato de autocensura e substituí a postagem escrita ontem sob o mesmo título desta. Explico-me: minha metralhadora giratória estava carregada de todas as mágoas, decepções e frustrações acumuladas nestes últimos anos…

Mas enfim, não me estenderei aqui sobre a sordidez generalizada, a corrupção endêmica e a incompetência sistêmica que assolam a nossa sociedade. Fica pra quando eu for menos frouxo e estiver disposto a arcar com as consequências de minhas opiniões.

E a mesma frase do Cioran que utilizei como epígrafe de uma postagem passada continua martelando na minha cabeça: “Sou um terrorista vergonhoso: ainda não pus uma bomba em minha alma”.

Ainda bem que para momentos de fundo do poço como este, sempre se pode recorrer a Walter Franco e seu grito primal…

renovatio

Posted in Divã with tags , , on 02/08/2011 by coelhoraposo

“Sou um terrorista vergonhoso: ainda não pus uma bomba em minha alma”

Emil Cioran

Sacudi um pouco a poeira e balancei um pouco o coreto no trabalho. Congelei minha conta no facebook. Comecei um curso intensivo de francês na Aliança. Retornei disciplinadamente aos exercícios físicos. Preciso de mais saúde, de mais motivação, de mais foco e de menos desleixo na maneira como tenho conduzido minha vida. Projetos? Sim, eles existem. Estão em processo de maturação. Mas todos eles passam por uma espécie de radicalização da minha vida: recomeçar, segurar de fato as rédeas da minha vida e conduzi-la do meu jeito para algum projeto de vida genuinamente meu, pensado, gestado e posto em prática por mim. Cansei das rebarbas alheias, cansei de viver sonhos alheios, cansei de viver vidas alheias…

Não sou o cineasta que um dia pensei que seria. Não sou o parlamentar que um dia pensei que seria. Não sou o comerciante que um dia pensei que seria. Não sou o cientista social que um dia pensei que seria (se bem que neste caso, nunca pensei de fato em sê-lo um dia). No fim, começo a pensar que minha estratégia de condução da vida nunca foi verdadeiramente  uma estratégia… minha.

Hora de renovar, ter disciplina e botar a cara a tapa no mundão aí fora.

Ilustração de Peter Kuper