Arquivo para boquiaberto

maternidade

Posted in Genealogias, homenagens with tags , , on 07/08/2010 by coelhoraposo

Adoraria estar postando aqui a terceira parte da minha listagem dos álbuns que mudaram minha vida para dar continuidade às postagens de 23.07 e 31/07, minha fixação do momento. Mas não posso deixar de externar minha felicidade ao saber que minha priminha Camila será mamãe, fato que acabo saber através do facebook. Gente, estou feliz. Tipo: muuuuuito feliz com essa notícia!!! Principalmente porque sei que ela e Leandro serão pais fantásticos para o rebento que logo irá iluminar a vida de ambos!

Pode ser efeito do álcool, mas estou profundamente emocionado! De verdade…

Parabéns aos dois mais novos mamãe e papai da família. =D

Uma singela homenagem a Camila:

This fire is out of control!

Posted in musique non stop, relaxing times with tags , , , on 22/03/2010 by coelhoraposo

Crédito: Abelardo Mendes Jr. - http://www.cult22.com

Pensei em escrever um textinho sobre a aventura musical de ontem com Alex Kapranos e cia. Entretanto, o grande Palandi foi mais rápido e, por ser muito mais eficiente na arte da escritura do que eu, compartilho suas observações sobre o show de ontem. Mas antes só uma palavra: un-fuckin’-believable!!!

 

 

Como já disse aqui uma vez, eu amo Brasília. Possivelmente é a única coisa ou pessoa que amo tanto quanto amo meus pais. Mas na noite desse domingo, por volta das dez horas, eu gritava repetidamente que iria queimar a cidade. A culpa é do Franz Ferdinand, que deu as caras no Planalto Central para mostrar como é ver uma banda no auge, deixar alguns milhares de brasilienses suados e ensinar algumas coisas sobre o pop.

Começando com apenas vinte minutos de atraso, a apresentação é “pé embaixo”, como dizem na Fórmula 1, e não há tempo para se refrescar entre um hit e outro. “Auf achse”, “No you girls”, “Take me out”, “Ulysses”: uma surge grudada na outra, e cada uma ganha contornos diferentes ao vivo. “Do you want to”, cuja versão de estúdio eu acho a coisa mais sem graça do mundo, faz todo o sentido no meio do concerto. Em “The dark of the matinee”, uma das minhas duas preferidas, vejo a frente da multidão pulando. O meio também. O final também. Os playboys perto de mim também. Deu orgulho da galera, e não foi pouco.

Do meio para frente, os hits diminuem um pouco, mas a qualidade continua lá em cima: em uma das passagens instrumentais, a banda muda de ritmo e coloca algo mais… caribenho? “É carimbó”, diz um amigo de Manaus, enquanto a gente faz uma roda para dançar essa inovação escocesa. No tradicional momento do Olodum de Glasgow, o quarteto vai todo tocar percussão à frente do palco, que era pequeno demais para o herói da noite, o cantor, guitarrista e personal trainer Alex Kapranos.

Ele sobe nos amplificadores, faz polichinelos, sobe e desce num ritmo impressionante, mais ainda quando lembramos que ele completou 38 primaveras no sábado. Assim, a apresentação do Franz Ferdinand nos ensina que um grande show de rock se faz com duas coisas: um bom repertório e um vocalista magro. Você pode ter gordos em qualquer instrumento, mas não pode ter um cantando: a plateia perde o interesse. Falo sério: os grandes líderes da massa ao vivo são todos magros (Mick Jagger e Jarvis Cocker são as lembranças imediatas), e você não se lembra de nenhuma apresentação antológica liderada por um pançudo. Isso acontece para que você não fique comentando das banhas depois, concentrando-se na música e, no máximo, elogiando a disposição dos atletas do pop.

No final, uma sequência do já clássico primeiro disco, com “Jacqueline”, “Michael” e “Darts of pleasure” emendadas, e “Lucid dreams” antes de uma instrumental eletrônica que por alguns momentos lembrou-me “Piece of me”, da Britney Spears – torci para que fosse uma versão, mas não era. Agora vamos aos pontos negativos: minha outra preferida do FF, “Walk away”, ganhou uma versão bem diferente, que achei lenta demais. A galera gostou, mas eu preferia algo mais embalado, com aquela malemolência alemã chupada de “The model”, do Kraftwerk. Mas o que deixou a desejar mesmo foi a estrutura: primeiro, com os flanelinhas tabelando em 5 reais o estacionamento nas imediações. Depois, não havia telão com imagens do palco, e o fundo deste era “decorado” com umas imagens que pareciam ter saído do Winamp ou do Media Player.

Mas nada que se compare ao verdadeiro crítico da noite: o horroroso sistema de climatização do Marina Hall, que submeteu os presentes a um calor insuportável. Paredes suadas, chão ensopado, sensação de sauna: um martírio infernal que se repete em todos os shows agendados para o local, como o dos Pet Shop Boys, seis meses atrás, e sobre o qual ninguém faz nada. E não adianta, como fiz no começo do texto, botar a culpa disso em “This fire”. Pela quantidade de gente, a apresentação poderia ter sido no Nilson Nelson, com amplo estacionamento, boa circulação de ar e em uma localização muito mais central. Uma pena.

 

p.s.: alguém viu que tinha um goiano de kilt assistindo à apresentação? Certas coisas deveriam ficar restritas ao hemisfério norte…

(Eduardo Palandi – www.palandi.com)

 


agosto/1954 – agosto/2009

Posted in vomitando palavras with tags , on 24/08/2009 by coelhoraposo

vargas

Exatamente há 55 anos, Getúlio Dornelles Vargas saía da vida para entrar para a História. Com um tiro no peito o presidente da República sucumbiu às pressões intermináveis que emparedavam seu governo e a sua liderança. O começo do fim se deu com a tentativa tresloucada do chefe da guarda pessoal de Getúlio, Gregório Fortunato, de dar cabo do maior desafeto do chefe, o jornalista Carlos Lacerda. Ao menos essa é a versão oficial.

Hoje, o Anjo Negro, como era conhecido, é visto como alguém que, com sua fidelidade canina, assumiu a responsabilidade em nome dos reais mandantes do atentado na rua Toneleros que matou o major da Aeronáutica Rubens Vaz e feriu o líder da União Democrática Nacional, principal partido de oposição a Vargas. Entre os reais mandantes, estavam os “aloprados” da época: o empresário Euvaldo Lodi, o ex-ministro do Trabalho Danton Coelho, o irmão e o filho de Getúlio, Beijo e Lutero Vargas, entre outras figuras proeminentes da república.

No fundo, não importa saber se Getúlio sabia ou não da tentativa de eliminar seu mais acirrado opositor ou então se foi realmente Gregório o mandante. O que importa é perceber que, em uma época onde a palavra empenhada valia mais do que o papel, ideais eram fortes como rochas e palavras como “irreversível” significavam irreversível a única saída honrosa era a renúncia ou, mais tragicamente, o suicídio ritual, o seppuku dos japoneses. Naquele momento não havia outro caminho para um estadista como Getúlio Vargas: suicidava-se tornando-se parte central da história ou se entregava a vala comum das lideranças sem fibra.

Não pretendo aqui defender que Sarneys, Renans, Dirceus (entre tantos outros que se apegam ao poder para dele sugar ao máximo toda energia positiva que de lá possa emanar) cometam atos radicais como o de Vargas – até porque a História não lhes reserva espaço algum; mas uma renúncia, um mea culpa, uma simples revisão em suas consciências poderia ao menos diminuir a sensação correta  de impotência e de impunidade que assola o país. Enquanto uma reforma política séria não seja colocada em pauta, o presidente de plantão vai sempre ter que governar refém desse sistema caquético que mantém múmias no poder. Até porque quando surgem lideranças que poderiam tomar para si essa responsabilidade de capitanear todo esse processo, elas se omitem, se escondem atrás do desconhecimento do que ocorria na sala ao lado ou então atrás de níveis recordes de aprovação que escondem práticas rasteiras como a institucionalização da compra de votos travestida de “transferência de renda”.

Enfim, entre um caudilho “pai dos pobres” ou um sindicalista “pai dos coronéis”, não opto por nenhum. Mas é inegável que o mérito do primeiro, o de assumir a responsabilidade por seus atos ou pelos de seus subordinados até as últimas consequências, está longe de estar presente no segundo. Nesse aspecto o suicídio de Vargas ainda tem muito a ensinar a toda a sociedade brasileira. Ser popular é uma coisa, ser líder… Bem ser líder é outra história.

histoire de Melody Nelson – Serge Gainsbourg (1971)

Posted in musique non stop with tags , on 14/06/2009 by coelhoraposo

clique na imagem do álbum para baixá-lo

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Estou chocado com o quanto esse disco é maravilhoso. Tenho pena de mim por conhecê-lo só agora e de todos que amantes de música que não o conhecem. Eu prometo depois fazer uma resenha do disco, mas precisava compartilhar esse sentimento de estupefação que me tomou ao escutá-lo. Só me senti assim ao ouvir pela primeira vez Bitches Brew do Miles Davis, Ou Não do Walter Franco, Tommy do The Who, Urubu do Tom Jobim, Clara Crocodilo do Arrigo Barnabé e Lugar Comum do João Donato.

PQP! Que disco foda!