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frito com banana

Posted in Divã with tags , , on 09/05/2011 by coelhoraposo

Semana passada acabou a porção que tinha de frito – uma espécie de paçoca de carne – que aprendi a gostar recentemente e que uma amiga me presenteou. Aquela combinação de farinha, carne seca e banana amassada me transportou imediatamente para os dias que passei no Recife. E com essas lembranças, veio também uma série de sensações, sentimentos e experiências que vivi por lá. Carnaval, amigos, música e diversão se misturando às minhas angústias, frustrações e buracos da alma.

Minha vida se baseia num constante movimento pendular entre a euforia e a melancolia. Entre o doce e o salgado. Tenho por hábito – um péssimo hábito, percebam – viver na fantasia. Na realidade, vivo de fantasia e acho que em certa medida, todos nós vivemos um pouco assim. E o que é mais doloroso é ter consciência de que isso não é saudável, não alimenta a alma: ao contrário, esse tipo de fantasia a corrói, transformando-nos escravos de um sentimento que nem sempre sabemos definir. Razão e emoção raramente andam juntas quando falamos de afeto. O problema é que quase nunca deixo a razão controlar todo o resto.

Com o fim da porção de frito, acabou também minha energia para continuar alimentando fantasias. O problema é que simplesmente ainda não consigo viver sem esta fantasia. Esta fantasia de estar com você.

love on my terms

Posted in vomitando palavras with tags , , on 16/09/2010 by coelhoraposo

É muito bom passar por dias como o que passei hoje: dormi um, acordei outro. Simplesmente quando cai o pano e se estabelece a divisão entre palco e platéia, realidade e fantasia, tudo fica mais claro. Atores despem-se das personagens, a platéia sai do transe e levanta-se da poltrona rumo a pizzaria mais próxima ou simplesmente para casa retomar à rotina do dia-a-dia. Comigo caiu o pano, caiu a ficha. Tudo aquilo que disse na famigerada carta não enviada continua verdadeiro (tenho o péssimo hábito de não desdizer o que disse um dia), mas parte do passado, de um passado remotamente próximo, mas passado. É muito incrível como certos sentimentos tomam conta de você até você não poder mais controlá-lo. Mais incrível ainda é perceber o quanto nós somos levados tão facilmente por coisas que simplesmente não existem. Nosso desejo de ver uma fantasia ser real é tão intenso que nos leva às piores infantilidades, erros de timing e calibragem…

Enfim, nada disso mais importa. O que importa é que – mais uma vez – tentei deixar a porta da minha vida aberta para alguém entrar, mas os convites foram sussurros que não sei se foram ouvidos. Mas uma das constatações mais interessantes foi a de perceber que todo este amor, ou talvez mais especificamente este desejo de amar, serve como oxigênio, combustível para me manter vivo: as protagonistas mudam (Ok, confesso que algumas permanecem sempre presentes, independentes de onde estejam física ou espiritualmente), mas a matéria-prima disso tudo está em mim! Isso, como num passe de mágica, me serenou, como só Walter Franco ou Tom Jobim conseguem. Uma amiga me disse que esse meu “tipo” de amor sufoca, amedronta. Ora, esse é o MEU amor, MEU sentimento, faço dele o que quiser. Quem quiser provar dele, vai ser sob meus termos, como quando Charles Foster Kane, em Citizen Kane(1941):

“A toast, Jedediah, to love on my terms. Those are the only terms anybody ever knows – his own.”

Respeito, antes de mais nada, a coerência. Seja na arte, seja na política, seja nas relações amorosas, a coerência faz parte da fundação de qualquer tipo de trajetória. Ser coerente consigo mesmo é a primordial. Assim, o crucial neste momento para mim, é abraçar meus termos, minhas condições. Quero amar e ser amado dessa forma: intensamente, verdadeiramente, um amor juvenil, um amor maduro, romântico. Não tenho vergonha de me encantar num primeiro encontro, apaixonar-me ao primeiro olhar, mandar flores, escrever cartas. Sou assim. Quem quiser gostar de mim, eu sou assim.

Those are my terms.

weekendings

Posted in vomitando palavras with tags , , , , , , on 06/09/2010 by coelhoraposo

– As coisas em casa estão cada vez mais insustentáveis, sofro bastante por isso. Mas não consigo visualizar um cenário em que as coisas se resolvam. Não tenho força, serenidade ou fibra sufucientes para encontrar uma solução pacífica para o impasse doméstico-afetivo. Eu sinceramente me considero alguém compreensivo e afetuoso. Mas infelizmente não neste caso, não vou ser um cretino e jogar a culpa do caos familiar nos outros, tenho no mínimo metade da responsabilidade, mas o convívio mãe e filho hoje é uma fantasia que precisa ser desfeita. Agora só ajuda profissional. Talvez só a distância para colocar as coisas em perspectiva e – num futuro próximo – estabelecer uma relação madura e saudável. Hoje só há dor, desamor, incompreensão mútua e loucura.

– Realmente o amor é um fato social, dos mais perversos. E esse meu masoquismo precisa acabar já. Quando se percebe que a balança está desequilibrada só há uma solução: desintoxicar-se desse sentimento que supostamente é paixão. Podiam abrir clínicas de reabilitação para pessoas que precisam esquecer pessoas (sim! Como em “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”). Preciso aprender a não me deixar levar tanto por fantasias e delírios amorosos…

– Decidi me desligar um pouco do mundo das festividades e me afastar um pouco do mundo social. Primeira medida: deletar Facebook e Twitter do BlackBerry e atualizá-los esporadicamente. Em tempos de internet, o melhor ansiolítico é se desapegar de redes sociais. Eu, pelo menos, perco muita energia vital nisso tudo. Definitivamente, it’s better to burn out than to fade away…

– Antonio Nóbrega foi um show fantástico, nunca tinha visto nenhuma apresentação dele. O cara realmente é genial.Viva Ariano Suassuna que o apadrinhou ainda na década de 1970 através do Movimento Armorial, que buscava as raízes mais prifundas da cultura nordestina.

– Realmente fiquei encantado com o som M O N U M E N T A L de Goran Bregovic & The Weddings and Funerals Orchestra, como dito no post anterior.

Mas no final das contas, o saldo foi super positivo: um fim de semana libertador!

a memória é a história do esquecimento…

Posted in Uncategorized, vomitando palavras with tags , on 16/06/2010 by coelhoraposo

Olá a tod@s que ainda acessam esta página na esperança de algum post novo.

Sim, um novo post virá. Talvez hoje, talvez amanhã, talvez num futuro distante. Muitas coisas aconteceram nesses  quase 3 meses? Sim, não e talvez. Mais do mesmo teve muito. Perdas, danos, ressacas morais, ressacas físicas, festas – muitas festas – amores perdidos no tempo, amores perdidos no timing.

Saudade, solidão e melancolia ergueram um acampamento permanente na minha alma. Não sei o porquê de não quererem ir embora. Enquanto isso, procrastino. Poderia expulsá-las, mas não sei dizer não.

Agora apostarei minhas fichas somente na endorfina, já que cansei da nicotina e a abandonei de vez…

Quanto ao título deste post, é um pensamento de Martin Heidegger. Acho bonito, me lembra Hiroshima, mon amour, cinema e amores fantásticos que só funcionam na cabeça de quem os fantasia. Isso sem contar com a velocidade brutal que nos atropela nos dias de hoje que não deixa mais espaço para pensarmos em nós mesmos, no que sentimos e no que queremos de fato para nossas vidas…

Enfim, não sei se há alguma coesão, organicidade neste post. Mas a preguiça me impede de revisá-lo, e se não impedisse, com certeza ele iria para o mesmo lugar de tantos outros que rascunhei nestes últimos 3 meses: para a lixeira.


Auf Achse

Posted in Genealogias de minhas paixões, vomitando idéias with tags , , , , on 24/03/2010 by coelhoraposo

Na última segunda-feira (22/03) finalmente recebi o canudo de bacharel em Ciências Sociais, com habilitação em Antropologia. O peso que retirei das costas – que já tinha diminuído bastante com a defesa da famigerada monografia em fevereiro – me fez acordar lindo, leve e solto hoje. Após uma noite com família e amigos do peito, dormi como um graduado pela primeira vez.

Agora posso fazer muitas coisas sem culpa: jogar PS3 sem temer o amanhã, me atualizar em 24 horas sem pensar que tenho que revisar o último capítulo, fazer sessões intermináveis de RockBand: The Beatles/Guitar Hero/BandHero (este último em um futuro muito próximo) com a(s) galera(s), alimentar minha vocação para a boemia, investir 3 horas do meu dia na academia (de ginástica, é claro), ler o que me der na veneta sem pensar que tinha que estar lendo aquele texto do Bourdieu…

E obviamente, algo que é um dos meu hobbies favoritos: me apaixonar.

Por falar nisso, talvez motivado pelo sentimento de leveza que me tomou, decidi me declarar para uma amiga.

Não, não é nada do que possam pensar (ou talvez seja, mais isso não importa): simplesmente quis externar pra essa pessoa o quanto eu gosto dela, o quanto a amo. Mas não esse amor canastrão, lavado e desbotado que não quer dizer nada além de… nada; e sim o amor fraternal fruto da intimidade, do afeto e do companheirismo que supera tudo isso. Se me perguntarem o porquê desabafar isso para a pessoa ou aqui, não saberei responder. Simplesmente existem coisas que não têm explicação, pessoas de quem você não quer estar separado, pequenas coisas que te dão grandes prazeres… simplesmente são.

Enfim, nada como uma confusãozinha a menos na sua cabeça para te fazer feliz.

E, definitivamente, amor não é só paixão, amor não é só tesão. Amor é outra coisa, um dia aprendo…

You see her, you can’t touch her
You hear her, you can’t hold her
You want her, you can’t have her
You want to, but she won’t let you

fechado para balanço

Posted in Genealogias de minhas paixões with tags , on 16/03/2010 by coelhoraposo

Los ponientes y las generaciones.
Los días y ninguno fue el primero.
La frescura del agua en la garganta
de Adán. El ordenado Paraíso.
El ojo descifrando la tiniebla.
El amor de los lobos en el alba.
La palabra. El hexámetro. El espejo.
La Torre de Babel y la soberbia.
La luna que miraban los caldeos.
Las arenas innúmeras del Ganges.
Chuang-Tzu y la mariposa que lo sueña.
Las manzanas de oro de las islas.
Los pasos del errante laberinto.
El infinito lienzo de Penélope.
El tiempo circular de los estoicos.
La moneda en la boca del que ha muerto.
El peso de la espada en la balanza.
Cada gota de agua en la clepsidra.
Las águilas, los fastos, las legiones.
César en la mañana de Farsalia.
La sombra de las cruces en la tierra.
El ajedrez y el álgebra del persa.
Los rastros de las largas migraciones.
La conquista de reinos por la espada.
La brújula incesante. El mar abierto.
El eco del reloj en la memoria.
El rey ajusticiado por el hacha.
El polvo incalculable que fue ejércitos.
La voz del ruiseñor en Dinamarca.
La escrupulosa línea del calígrafo.
El rostro del suicida en el espejo.
El naipe del tahúr. El oro ávido.
Las formas de la nube en el desierto.
Cada arabesco del calidoscopio.
Cada remordimiento y cada lágrima.
Se precisaron todas esas cosas
para que nuestras manos se encontraran.

“Las Causas” – Jorge Luis Borges  (Historia de la noche, 1976)

Quando li esse poema pela primeira vez há uns dez anos, citado em um artigo de Walter Salles na Folha de São Paulo, passei a carregá-lo na minha carteira, na esperança de quem um dia fosse declamá-lo para a pessoa amada, coisa que nunca o fiz (mil perdões, Lisa!).

Recentemente, lembrei-me dele. Lembre-me também daquela esperança romântica e juvenil.

Mas apesar de todas as causas, nossas mãos não se encontraram.

Alguém se habilita?

Posted in musique non stop, relaxing times with tags , , , , on 19/01/2010 by coelhoraposo

Meu projeto de férias seria uma rápida tour por Nova Iorque e Toronto em abril: conhecer Manhattan com a Erica e comemorarmos nossos aniversários (o dela é colado no meu, com um dia de intervalo para curar a ressaca). Mas devido a uma série de contratempos estou começando a achar que esses planos podem ir por água abaixo…

Assim, surge o projeto COACHELLA 2010!!! É muita gente boa reunida em um lugar só, será que resisto? Tenho até sexta pra decidir. ai ai ai ai!!!