Archive for the vomitando palavras Category

reminiscências

Posted in Divã, Genealogias de minhas paixões, vomitando palavras with tags , on 18/07/2012 by coelhoraposo

Engraçado como o mundo muda. E como a gente muda com ele. Estava aqui lendo esta notícia e lembrando da ansiedade que a lista dos filmes selecionados para a mostra competitiva do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro causava em mim até uns 10 anos atrás… 

Hoje leio a tal lista e ela não me diz absolutamente nada. Assim como o próprio festival que, em sua 45a. edição, não é mais nem sombra do que já foi um dia: regras obsoletas, desmandos administrativos e panelinhas corporativistas acabaram por transformar o outrora maior e melhor festival de cinema do país, em um evento de segunda grandeza.

Uma pena.

 

sobre a canalha

Posted in Divã, realpolitik, vomitando palavras with tags , , , , , on 10/07/2012 by coelhoraposo

Em tempos de discussão sobre o Marco Civil da Internet (que não é a minha área. Para aprofundar-se no tema, indico o excelente blog de Paulo Rená, o Hiperfície), cometi um ato de autocensura e substituí a postagem escrita ontem sob o mesmo título desta. Explico-me: minha metralhadora giratória estava carregada de todas as mágoas, decepções e frustrações acumuladas nestes últimos anos…

Mas enfim, não me estenderei aqui sobre a sordidez generalizada, a corrupção endêmica e a incompetência sistêmica que assolam a nossa sociedade. Fica pra quando eu for menos frouxo e estiver disposto a arcar com as consequências de minhas opiniões.

E a mesma frase do Cioran que utilizei como epígrafe de uma postagem passada continua martelando na minha cabeça: “Sou um terrorista vergonhoso: ainda não pus uma bomba em minha alma”.

Ainda bem que para momentos de fundo do poço como este, sempre se pode recorrer a Walter Franco e seu grito primal…

15 dias

Posted in itinerários, musique non stop, pequenos grandes prazeres, vomitando palavras with tags , , , , , , , , , on 05/07/2012 by coelhoraposo

Há exatos 4 meses decidi que passaria minhas férias na Europa com direito a uma esticada até o Japão para visitar a Lisa.  Descarreguei um caminhão de milhas do Smiles e emiti meus bilhetes. Mas como comigo tudo é muito inconstante, logo veio o desânimo: depois de programada a viagem, bateu aquela sensação imperdoável e macunaímica do “ai, que preguiça…”

Mas o tempo foi passando e, devido às vicissitudes da vida, a volta ao mundo em 30 dias foi restringida ao velho continente europeu. (O projeto verão japonês talvez se transforme em projeto primaveril com direito a assistir o espetáculo do Hanami no ano que vem.)

Mas depois de um certo frio na barriga, finalmente fechei as datas, comprei as passagens internas e estou começando hoje a contagem regressiva para o verão: rever Paris, visitar amigos queridos do meu coração, conhecer lugares novos, procurar sebos de vinil, tomar uns bonsdrink, ver a crise de perto e, claro, como não podia deixar de ser, assistir a shows memoráveis

Quanto aos shows só digo o seguinte:

– Dia 04/08:

– Dia 10/08:

e

– Dia 11/08:

-Dia 12/08:

e o gran finale, dia 17/08:

malásia

Posted in Genealogias de minhas paixões, pequenos grandes prazeres, vomitando palavras with tags , , , , , , , , on 26/03/2012 by coelhoraposo

a chapa tá esquentando pra ti, felipe!

Já é lugar comum falar do abismo existente entre Fernando Alonso e Felipe Massa, companheiros de equipe na Ferrari. O Grande Prêmio da Malásia foi só mais um exemplo da disparidade sinistra que existe entre os dois pilotos. A Ferrari trata sim Massa como segundo piloto, porque é o que ele é de fato, agora imaginar que ele tem um carro infinitamente pior é só um exemplo do eterno “complexo de vira-latas” e querer tapar o sol com a peneira.

Como observado pelo André, o vídeo abaixo mostra que, enquanto Alonso completava a corrida, Massa acabara de abrir sua última volta, ou seja: “o bicho tomou uma volta com o mesmo carro”, como bem disse o André.

Vi por aí que o Massa culpou a degradação dos pneus pelo seu ridículo desempenho. Engraçado que o Sérgio Pérez falou a mesma coisa do estado de seus pneus. Só que como justificativa para não ter atacado mais o Alonso e vencido a corrida. 

Com uma Sauber (este sim, um carro infinitamente pior que o de Alonso).

 

procrastina, meu bem!

Posted in nonsense, realpolitik, vomitando palavras with tags , , , , , , , , , , on 21/03/2012 by coelhoraposo

Não. Isto não é um post. É só uma reorganização mental. Então, indexemos.

1. Independentemente da culpabilidade de Thor Batista ou de Wanderson no fatídico acidente que ceifou a vida do ajudante de pedreiro, esta bela e dolorosa crônica da dura desigualdade brasileira, escrita pelo jornalista Paulo Nogueira (“Quando Thor encontrou Wanderson”), merece leitura;

2. Se, por um lado Dilma aos poucos afirma sua liderança enfrentando os encastelados no poder desde que o Brasil é Brasil, fugindo do jogo de chantagens e tentando impôr uma suposta tecnocracia; por outro, faz o jogo dos mesmos politicões acentuando o escambo político mudando ministros, acomodando partidecos e aceitando canalhices. Em resumo, faz faxina num dia e no outro abre a porta para os porcos sujarem a sala;

3. Ainda sobre Dilma, o que falar sobre sua ministra da cultura? Nada. Ou melhor, tudo. Tudo o que há de mais retrógado, despreparado e incompetente no governo Dilma pode ser sintetizado na maneira como este governo trata de duas questões: a Cultura e o Meio Ambiente. Sobre a Cultura, a audiência pública ocorrida hoje na Câmara dos Deputados fala por si só, mas destaquemos somente uma ideia propagada pela filha de Sérgio Buarque de Hollanda: “a internet irá matar a cultura brasileira”. Se por “cultura brasileira” ele considera (como seus atos à frente do Ministério fazem crer) a cultura do eixo Leblon-Jardim Botânico, baseada na política ultrapassada do copyright e dos plenos poderes do ECAD; ela está certíssima. Eu realmente não vejo diferença nenhuma, do ponto de vista formal e ideológico, entre o que acontece na Cultura e o que acontece com a política indigenista e ambiental deste governo: o anacronismo desenvolvimentista. Definitivamente, Dom Porfirio Díaz foi coroado e continua colocando “essas histéricas tradições em ordem” (assistam abaixo a “coração de Dom Porfírio Díaz a 1h43min, sintetiza em poucas palavras como somos governados neste país, desde 1500):

4. os posts continuam se avolumando na pasta de rascunhos;

5. projeto “Volta ao Mundo em 30 dias”  – edição 2012; está ganhando corpo, datas e itinerários;

6. a dieta vai muito bem, obrigado;

7. cansei dessa listinha e esqueci o que ia escrever aqui. até a próxima!

ludopédio

Posted in Genealogias de minhas paixões, vomitando palavras with tags , , , , , , , on 07/03/2012 by coelhoraposo

20120307-235226.jpg

A quarta-feira futebolística que passou poderia ser resumida assim:

  • Neymar fez – para a alegria do Palandi – 2 golaços incríveis, provando que tem algum DNA alienígena (já o cabelo, é só ridículo mesmo);
  • Corinthians em dia de goleada estrondosa de 2 x 0;
  • o time das laranjeiras retomou o lema do “time de guerreiros” e devorou La Bombonera;
  • a Fox Sports está mostrando que finalmente alguém resolveu peitar o monopólio Telmex/Organizações Globo (NET, Sky e Embratel) e está rindo à toa ;
  • o A-p-o-e-l, do Chipre (!!!), bateu o Lyon e consolida o caminho rumo a final da Champions contra o Barcelona. E por falar em Barcelona…
  • Messi é um ET (1x);
  • Messi é um ET (2x);
  • Messi é um ET (3x);
  • Messi é um ET (4x) e;
  • Messi é um ET (5x).

estado de putrefação

Posted in vomitando palavras with tags , , , on 15/02/2012 by coelhoraposo

Já virou piada a tal profecia maia de que o mundo acaba em 2012. Mas todos com um mínimo de discernimento sabem que o mundo não vai acabar neste ano por um simples motivo: ele já acabou. A humanidade já deu provas de que está morta, em decomposição.

Quando vi rapidamente o link com o título “estupros como presente de aniversário”, admito que fiquei com receio de clicar porque já imaginava o que estava por ler. Qual não foi minha surpresa ao perceber que nem o meu lado mais sórdido, doentio e malvado poderia imaginar o que estava lendo. Não vou nem tentar descrever este caso de estupro coletivo ocorrido no município de Queimadas, na Paraíba, porque é tudo tão torpe que não consigo evitar a ânsia de vômito que o caso me provoca.

Algo que me vêm a mente é saber que 30 anos de cadeia não é nada para estes criminosos, pelo simples fato de que eles deixaram de ser humanos há muito tempo (até porque sabemos que, mesmo condenados, nunca cumprirão tal pena em sua integralidade).

Cadê Lisbeth Salander nessas horas? Talvez um pouco da lei de talião aplicada a este caso fosse necessária, não como vendetta, mas como justiça!

Compartilho abaixo o texto da blogueira Lola Aronovich (Escreva Lola Escreva):

O que aconteceu em Queimadas, cidade paraibana perto de Campina Grande, é uma das coisas mais bárbaras que ouvi nos últimos tempos. Ainda temos algumas informações desencontradas, mas basicamente foi isso: na madrugada de domingo, dia 12 de fevereiro, uma festa de aniversário com cerca de 15 pessoas foi invadida por um grupo de homens encapuzados e fortemente armados. Eles agrediram alguns dos homens, roubaram alguns pertences, e separaram cinco das sete mulheres presentes. Essas cinco mulheres foram estupradas (não fica claro nas notícias por quantos elas foram estupradas). Em seguida, os criminosos fugiram, levando duas mulheres que já haviam sido estupradas, a recepcionista Michele, e a professora Isabela. Michele ainda conseguiu pular do carro em movimento, mas foi perseguida e morta. Ambas foram executadas. 
É possível que um caso desses seja mais ultrajante? É sim. Todos os homens na festa sabiam. O plano do estupro coletivo havia sido arquitetado pelo dono da casa, Eduardo, de 28 anos, ex-cunhado de Isabela. Estuprar mulheres seria um presente de aniversário para o irmão, Luciano, de 22 anos. Na hora, eles também vestiram um capuz e estupraram. Só as mulheres deles foram poupadas. Mas Isabela e Michele lutaram, e foram capazes ou de tirar-lhes o capuz, ou a venda com que seus olhos estavam cobertos (depende da fonte). E identificaram os estupradores — seus conhecidos e amigos. Foram mortas porque viram demais. Eduardo e Luciano ainda compareceram ao velório das duas. 
A polícia da Paraíba agiu rápido. Prendeu nove acusados, Eduardo e Luciano inclusos. Espero que sejam condenados à pena máxima, que, no Brasil, é de trinta anos na cadeia.
Ontem a notícia já circulava com força. Alguém deixou um link pra essa barbárie num post, e obteve como resposta de um anônimo: “Isso é coisa de nordestino. Eu tenho vontade de dar uma casa para a Lola em Santa Catarina só para ela deixar essa região tão perigosa do país. Pena que não tenho tanto dinheiro assim”. É troll sem nenhuma humanidade se aproveitando de um crime assombroso pra cometer outro crime, o do preconceito. O troll certamente sabe que estupros ocorrem em toda parte. Até nos países ditos civilizados. Se tem uma coisa universal no mundo, é o estupro de mulheres. Não é exclusividade do nordeste (e, troll, até dois anos atrás eu tinha uma casa em SC, comprada com meu dinheiro. Não preciso da sua preocupação, obrigada). Aliás, os dois mentores do crime, Eduardo e Luciano, são cariocas. Se é que isso importa. 
Além do preconceito anti-nordestino, outro fantasma que rondou os tweets ontem foi o dos mascus sanctos. Afinal, eles passaram os últimos meses publicando postscomo “Seja homem: estupre e mate uma mulher”. O blog misógino está (felizmente) fora do ar há várias semanas, e torço para que a Polícia Federal esteja fazendo seu trabalho de identificar e indiciar os responsáveis (eu finalmente fiz boletim de ocorrência no final de janeiro). Até agora os sanctos não se manifestaram, mas é só uma questão de tempo. Eles aproveitam qualquer crime de ódio com maior repercussão para assumir a autoria ou parabenizar os culpados. Fazem isso para parecer que são mais que a meia dúzia de covardes anônimos que são. 
Duvido que Eduardo e Luciano ou algum dos outros sete presos tenham ouvido falar dos mascus sanctos. Não é preciso. Ninguém precisa ler blogs de ódio para adquirir lições básicas de misoginia. Essas lições básicas estão em todo o canto. E é essa misoginia que faz com que homens como Eduardo e Luciano vejam estupro como um presente de aniversário. Estupro, afinal (e nem aprendemos isso com Rafinha), é umaoportunidade. Ora para a vítima, ora para o estuprador. Vivemos numa sociedade que enxerga o estupro como nada mais do que sexo. Estupro não é visto como ódio às mulheres, nem como violência. É visto como um pequeno descontrole, algo puraramente biológico (é o instinto do macho que o leva a isso! –- se eu dissesse algo assim eu seria misândrica, mas como são os homens que falam, tudo bem), e as mulheres não perdem muito no processo, é só sexo, não tira pedaço. Se o estupro coletivo de Queimadas ficasse “só” no estupro, sem resultar em dois assassinatos, pouca gente estaria tão horrorizada. “Estupra, mas não mata”, já nos dizia Maluf, dando voz a um velho chavão que não foi ele que inventou.
E enquanto essas barbaridades seguem acontecendo, o que fazemos? Continuamos culpando as vítimas (um dos comentários num portal dizia que “as garotas já deviam saber o tipo dessespilantras”). Solidificamos um discurso (aceito até por algumas feministas) de que mulher falar de estupro é se vitimizar. Ao mesmo tempo, os homens (que também adoram falar em vitimização feminista), olham pros lados, assobiam, fingem que estupro é um problema meramente feminino. Ou seja: mulheres, não vamos mencionar estupro, porque estaremos nos fazendo de vítimas. Homens, não mencionem estupro, que o assunto não tem absolutamente nada a ver com vocês. E, quem sabe, dessa forma os estupros milagrosamente deixem de existir. 
E dessa forma a gente pode fingir, feliz, que a ideia de estuprar mulheres como presente de aniversário é algo que só acontece na mente de uns poucos doentes. E nos confins do agreste nordestino.

Mais sobre o caso: Ensaio sobre a barbárie.

Lola Aronovich