Archive for the realpolitik Category

sobre a canalha

Posted in Divã, realpolitik, vomitando palavras with tags , , , , , on 10/07/2012 by coelhoraposo

Em tempos de discussão sobre o Marco Civil da Internet (que não é a minha área. Para aprofundar-se no tema, indico o excelente blog de Paulo Rená, o Hiperfície), cometi um ato de autocensura e substituí a postagem escrita ontem sob o mesmo título desta. Explico-me: minha metralhadora giratória estava carregada de todas as mágoas, decepções e frustrações acumuladas nestes últimos anos…

Mas enfim, não me estenderei aqui sobre a sordidez generalizada, a corrupção endêmica e a incompetência sistêmica que assolam a nossa sociedade. Fica pra quando eu for menos frouxo e estiver disposto a arcar com as consequências de minhas opiniões.

E a mesma frase do Cioran que utilizei como epígrafe de uma postagem passada continua martelando na minha cabeça: “Sou um terrorista vergonhoso: ainda não pus uma bomba em minha alma”.

Ainda bem que para momentos de fundo do poço como este, sempre se pode recorrer a Walter Franco e seu grito primal…

a volta do inferno verde

Posted in realpolitik with tags , , , , , , on 26/04/2012 by coelhoraposo

A atualização do Código Florestal se fazia necessária por inúmeros motivos, entre eles o fato de ser uma lei antiquada que já nasceu torta há quase meio século e que não era aplicada como deveria ser. Nos últimos 50 anos muita coisa mudou, principalmente a relação da sociedade com a natureza e a lei que deveria reger esta relação teria que ser revista e atualizada. O principal ponto aqui é o da forma como a natureza precisa ser vista, não mais como “recursos naturais” e sim como um elemento integrante de nossas vidas. É sempre bom lembrar que o grande algoz do meio ambiente tem sido justamente aquele que deveria protegê-lo: o Estado. Desnecessário lembrar das relações quase sempre íntimas entre o Estado e o grande capital etc…

Com a abertura política, muito se avançou no debate da questão ambiental. Novos paradigmas se estabeleceram olhando para o passado e vendo os absurdos cometidos no Brasil: estradas projetadas utilizando-se somente de mapas e tecnocratas que nunca haviam saído de seus gabinetes foram abandonadas (algumas ainda em projeto e outras que a própria natureza tratou de engolir); hidrelétricas absurdamente constrúidas (como Balbina) e outras cujos projetos eram delírios ministeriais, pareciam ter sido engavetadas para nunca mais. A dicotomia entre ambientalistas e ruralistas permaneceu, mas o Estado brasileiro parecia ter amadurecido e apagado para todo o sempre o ideário do “inferno verde”, que é o de exergar a natureza como algo a ser derrotado, subjugado ou simplesmente extirpado.

Bem, parecia. A “derrota” sofrida pelo governo federal ontem com a aprovação do Novo Código Florestal na Câmara dos Deputados, expõe muito mais do que a gravíssima inabilidade do Palácio do Planalto em dialogar com o parlamento: estão expostos para quem quiser ver os reais interesses do plano do Brasil-potência, entre os quais o do desenvolvimentismo a qualquer custo (a hidrelétrica de Belo Monte é um exemplo claro disso), ideologia abraçada com unhas e dentes pelo Governo Dilma. No plano inconsciente (será?), o novo Código Florestal atende os desejos de amplos setores do governo que, embora não admitem, comungam com os setores mais retrógados da dita bancada ruralista.

Como este é um tema bastante polêmico e importantíssimo para o futuro não só do país, mas do planeta como um todo, toda e qualquer tentativa de transformar o debate em algo maniqueísta e demonizar os setores envolvidos é um desastre. Que fique claro: nem todo produtor rural é destruidor do meio ambiente, assim como nem todo ambientalista é o protetor escrupuloso que diz ser. Os interesse são muitos. Mas a não promoção de debates verdadeiros que envolvessem a sociedade brasilieira como um todo é culpa do governo, por um simples motivo: a falta de engajamento da sociedade era condição sine qua non para o resultado de ontem que, em última instância, agrada ao governo.

As comunidades indígenas foram alijadas do processo. A comunidade científica foi alijada do processo. O pequeno produtor foi alijado do processo. Enfim, a sociedade brasileira foi alijada do processo de discussão. Quando muito, foi iludida com os argumentos mais frágeis possíveis, como o do combate à fome (realmente, o grande produtor rural só  pensa em acabar com a fome quando desmata áreas de proteção, escraviza funcionários e por aí vai); ou ainda o da falta de energia elétrica e da necessidade de mega-empreendimentos hidrelétricos para poder evitar o temido APAGÃO, que leva a classe média a entrar em pânico (afinal poderia ter que deixar de assistir a novela das oito em suas giga telas de LED) enquanto os reais beneficiários de toda essa energia elétrica (de fontes renováveis, ressalta o governo) são os consumidores industriais, que agradecem.

Agora resta à Presidenta Dilma vetar o novo Código afinal, às vésperas da Rio+20, ela precisa dar o recado certo para os representantes de mais de uma centena de governos mundo afora. O problema é que o veto só irá postergar a questão. Até porque propostas de fato, o governo não têm. Ou melhor, até têm. Mas como se parecem tanto com o que foi aprovado ontem, é melhor nem apresentá-las.

Agora é esperar o veto da presidenta, que virá. Dificilmente será um veto integral, até porque os ruralistas poderiam derrubar o veto presidencial. Resta saber qual será o tamanho do bicho de 7 cabeças que o Novo Código Florestal se transformará. Mas uma única certeza já podemos ter, a máscara caiu e este governo mostrou – até em sua incompetência – de que lado está.

O ideário do inferno verde voltou. Mais forte do que nunca.

procrastina, meu bem!

Posted in nonsense, realpolitik, vomitando palavras with tags , , , , , , , , , , on 21/03/2012 by coelhoraposo

Não. Isto não é um post. É só uma reorganização mental. Então, indexemos.

1. Independentemente da culpabilidade de Thor Batista ou de Wanderson no fatídico acidente que ceifou a vida do ajudante de pedreiro, esta bela e dolorosa crônica da dura desigualdade brasileira, escrita pelo jornalista Paulo Nogueira (“Quando Thor encontrou Wanderson”), merece leitura;

2. Se, por um lado Dilma aos poucos afirma sua liderança enfrentando os encastelados no poder desde que o Brasil é Brasil, fugindo do jogo de chantagens e tentando impôr uma suposta tecnocracia; por outro, faz o jogo dos mesmos politicões acentuando o escambo político mudando ministros, acomodando partidecos e aceitando canalhices. Em resumo, faz faxina num dia e no outro abre a porta para os porcos sujarem a sala;

3. Ainda sobre Dilma, o que falar sobre sua ministra da cultura? Nada. Ou melhor, tudo. Tudo o que há de mais retrógado, despreparado e incompetente no governo Dilma pode ser sintetizado na maneira como este governo trata de duas questões: a Cultura e o Meio Ambiente. Sobre a Cultura, a audiência pública ocorrida hoje na Câmara dos Deputados fala por si só, mas destaquemos somente uma ideia propagada pela filha de Sérgio Buarque de Hollanda: “a internet irá matar a cultura brasileira”. Se por “cultura brasileira” ele considera (como seus atos à frente do Ministério fazem crer) a cultura do eixo Leblon-Jardim Botânico, baseada na política ultrapassada do copyright e dos plenos poderes do ECAD; ela está certíssima. Eu realmente não vejo diferença nenhuma, do ponto de vista formal e ideológico, entre o que acontece na Cultura e o que acontece com a política indigenista e ambiental deste governo: o anacronismo desenvolvimentista. Definitivamente, Dom Porfirio Díaz foi coroado e continua colocando “essas histéricas tradições em ordem” (assistam abaixo a “coração de Dom Porfírio Díaz a 1h43min, sintetiza em poucas palavras como somos governados neste país, desde 1500):

4. os posts continuam se avolumando na pasta de rascunhos;

5. projeto “Volta ao Mundo em 30 dias”  – edição 2012; está ganhando corpo, datas e itinerários;

6. a dieta vai muito bem, obrigado;

7. cansei dessa listinha e esqueci o que ia escrever aqui. até a próxima!

José Serra, 70 anos

Posted in realpolitik, relaxing times with tags , , , , on 19/03/2012 by coelhoraposo

Ai, como eu adoro o twitter… Afinal, trollagem se paga com trollagem!

Né, Palandi? rsrsrsrsrsrs

E claro, que o livro ao qual eu me referi era este aqui:

Feliz aniversário, José Serra!

as novas “mothers of prevention”

Posted in homenagens, realpolitik, vomitando palavras with tags , , , , , , , , on 18/01/2012 by coelhoraposo


Um dos grandes avanços oriundos do advento da internet é o acesso a informação. E o fato de mais uma vez o Congresso norte-americano ter a ousadia de achar que pode e deve controlá-la beira ao risível (o que é repetido em muitos lugares como no Brasil, vide o projeto de Eduardo Azeredo). No entanto, agora eles encontraram uma brecha e levantaram a bandeira da pirataria, da ilegalidade da troca livre de informação. O SOPA, sigla de Stop Online Piracy Act, que está para ser votado nos EUA é um retrocesso sem tamanho. Não conheço muito bem do assunto, mas o simples fato de quererem penalizar criminalmente qualquer site que faça referência a conteúdos protegidos pela ultrapassada noção do copyright, me soa um absurdo sem limites…

Assim como foi um absurdo sem limites as mobilização na década de 80 contra as letras da música pop. O PMRC (ou Parents Music Resource Center), capitaneado pela esposa do então senador Al Gore, Tipper Gore, conseguiu fazer aprovar a lei que obrigou a todas as gravadoras a exibirem o infame selo abaixo:

O argumento das senhoras pudicas norte-americanas era que as letras de músicas do rock estavam incitando a violência e chegando a causar o aumento das taxas de estupro (!!!) em todo o país. O artista que tomou a frente contra a lei que objetivava indicar o que poderia e o que não poderia ser ouvido pelos jovens estadunidenses altamente impressionáveis pelo nefasto rock’n’roll foi o inigualável (musical e politcamente) Frank Vincent Zappa, que exigiu testemunhar no Senado norte-americano para fazer com que todos ouvissem o absurdo que estava sendo engendrado. Foi ouvido, de pouco adiantou. Mas fez sua parte. E um disco, “Frank Zappa Meets The Mothers of Prevention” (1985), que inclusive contém trechos de seu depoimento ao Comitê de Comércio do Senado dos EUA.

Ai, a falta que um Frank Zappa faz…

Leia aqui a transcrição da audiência

PS. Vale o registro de que “Jazz From Hell” (1986), mesmo sendo um álbum intrumental – repito INSTRUMENTAL; recebeu o “Tipper Sticker” (uma referência a espose de Al Gore) de Explicit Lyrics.

PS2. A capa de “Frank Zappa Meets The Mothers Of Prevention” traz um selo de advertência/garantia genial:

WARNING/GUARANTEE: This album contains material which a truly free society would neither fear nor suppress.
In some socially retarded areas, religious fanatics and ultra-conservative political organizations violate your First Ammendment Rights by attempting to censor rock & roll albums. We feel that this is un-Constitutional and un-American.
As an alternative to these government-supported programs (designed to keep you docile and ignorant). Barking Pumpkin is pleased to provide stimulating digital audio entertainment for those of you who have outgrown the ordinary.
The language and concepts contained herein are GUARANTEED NOT TO CAUSE ETERNAL TORMENT IN THE PLACE WHERE THE GUY WITH THE HORNS AND POINTED STICK CONDUCTS HIS BUSINESS.
This guarantee is as real as the threats of ther video fundamentalists who use attacks on rock music in their attempt to transform America into a nation of check-mailing nincompoops (in the name of Jesus Christ). If there is a hell, its fires wait for them, not us.

o príncipe das astúrias

Posted in canções fundamentais, Genealogias de minhas paixões, homenagens, musique non stop, realpolitik with tags , , , on 09/01/2012 by coelhoraposo

Para mim, o maior artista vivo de todo o espaço sideral se chama Leonard Cohen. É um artista completo. Poeta, romancista, cantor, compositor e um perfomer. E que performer!

Um exemplo? Imaginemos a seguinte cena:

São 4 horas da manhã. Algo como 600 mil pessoas encontram-se entre o sono provocado pelo cansaço de 5 dias de um megafestival caótico e pelo frenesi após a conturbada apresentação de Jimi Hendrix e sua Experience (e que seria a última grande aparição de Hendrix, que morreria 3 semanas depois), com direito a palco sendo incendiado. Coube a Joan Baez tentar juntar os cacos e continuar as apresentações.

São 4 horas da manhã. A produção do festival vai até o trailer da próxima atração para acordar um já senhor de 35 anos, com 3 aclamados livros de poesia, 2 romances (magníficos, por sinal) e 2 álbuns (fundamentais para qualquer amante da música), para se dirigir ao palco do Festival da Ilha de Wight.

São 4 horas da manhã. As 600 mil pessoas entre o sono e o frenesi de um festival marcado pela desorganização e pela violência iminente observam a entrada no palco de um Leonard Cohen transmitindo… paz. Não uma paz política, mas uma paz espiritual que logo se espalha por todos. Ao pedir qque todos acendam seus fósforos, isqueiros e afins para olhar a pessoa ao lado, o que Cohen está dizendo é: “ele/ela é igual a você, não é melhor nem pior, simplesmente igual.” E arremata com sua maturidade poética e política lembrando o público flower power, que eles ainda precisavam de muito feijão com arroz antes de pensar em mudar o mundo: “vocês são uma grande nação, mas ainda são fracos. Ainda muito fracos. Precisam se fortalecer muito mais para poder exigir o direito à terra…”

E segue com sua magistral “Bird On The Wire”:

Like a bird on the wire,
like a drunk in a midnight choir
I have tried in my way to be free.
Like a worm on a hook,
like a knight from some old fashioned book
I have saved all my ribbons for thee.
If I, if I have been unkind,
I hope that you can just let it go by.
If I, if I have been untrue
I hope you know it was never to you. 

Like a baby, stillborn,
like a beast with his horn
I have torn everyone who reached out for me.
But I swear by this song
and by all that I have done wrong
I will make it all up to thee.
I saw a beggar leaning on his wooden crutch,
he said to me, “You must not ask for so much.”
And a pretty woman leaning in her darkened door,
she cried to me, “Hey, why not ask for more?”

Oh like a bird on the wire,
like a drunk in a midnight choirhave tried in my way to be free.

*  *  *

Assim nada melhor para iniciar o ano de 2012 neste blog do que homenagear àquele que foi e continua sendo a trilha-sonora dos momentos mais importantes de minha vida. Evoé, Mr. Cohen!

Segue abaixo o discurso de recebimento do Prêmio Príncipe das Astúrias de 2011:

E aqui a transcrição do discurso, em espanhol e em inglês

PS. a apresentação  de Leonard Cohen na Ilha de Wight está disponível em CD/DVD/bluray etc… Faça um favor a você mesmo e corra atrás!

realpolitik

Posted in Divã, realpolitik with tags , , , , on 30/11/2011 by coelhoraposo

Quando recebi o e-mail da minha amiga Elisa que continha a carta de desfiliação de André Passos (ex-funcionário da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do DF, sob administração do seu partido, o Partido Verde), senti um misto de “eu já sabia” com frustração. O “eu já sabia” se refere, obviamente, ao fato de que nunca acreditei que o atual governo do Distrito Federal, capitaneado por Agnelo Queiroz e Tadeu Filipelli, seria diferente dos governos anteriores – principalmente no que se refere a desorganização, malfeitos (sim, corrupção agora foi batizada de “malfeitos” pela presidenta Dilma) e a obsessão partidária pelo aparelhamento total de todas as instâncias governamentais.

Mas também me senti frustrado, principalmente porque em algum nível compartilho dessa frustração. Não há nada mais frustrante do que se entregar de corpo e alma a algum projeto e, logo depois, ver que no fundo você é um otário. Pelo menos é assim que muitos nos verão. O discurso do “sistema” é sempre o mesmo: “você tirou a sorte grande. Nosso candidato se elegeu e teremos 4 anos de moleza pela frente!” Infelizmente, é exatamente isto o que ocorre. Obviamente que existem pessoas que conseguem “fazer as coisas acontecerem” mesmo enfrentando as dificuldades partidárias, da máquina estatal etc etc. Mas a questão é que para que isso ocorra, elas acabam tendo que fazer concessões, se comprometendo em algum nível. O Brasil realmente não é para amadores. E política, definitivamente, é para profissionais…

Ainda bem que existem pessoas que não conseguem fazer tais concessões. Por isso que aplaudo a atitude de André Passos (vulgo Esqueleto).

Segue a carta:

Carta de Desfiliação do Partido Verde

Prezados leitores e eleitores,
É com certo pesar e ao mesmo tempo sentimento de dever cumprido, que venho comunicar minha desfiliação do Partido Verde, como também minha saída do Governo do Distrito Federal.
Infelizmente, não encontrei apoio no partido para desenvolver tudo que foi planejado durante o período de campanha eleitoral.
Sou nascido e criado em Brasília e para mim é impossível desvincular-me do propósito de trabalhar pela melhoria de nossa cidade.
Quando Agnelo Queiroz assumiu o Governo do Distrito Federal, o PV, assumiu a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e muitos de seus filiados, como eu, recebemos a oportunidade e a digna e honrosa missão de trabalhar junto ao Governo.
Ocorre que, passado quase um ano, muitos de nós, embora recebendo salário, não vinhamos recebendo trabalho. Exige-se o cumprimento do horário, mas falta organização, planejamento e estratégia para aproveitar a força de trabalho disponível dentro do Partido.
Ganhar o dinheiro do contribuinte para não fazer nada, quando há tanto a se fazer, para mim é inconcebível.
Desfilio-me do partido, abro mão do meu cargo para continuar buscando uma forma digna e honesta de trabalhar por Brasília.
Todos os desejos e esperanças construídos durante a última campanha eleitoral foram frustrados.
Aquela união passada pelo Partido Verde naquela época evaporou e só sobrou a constatação de que, de fato, existe uma cúpula que não quer deixar o poder e nem seus cargos.
Entra governo, sai governo e a cúpula continua lá. Distribuem-se cargos e salários, mas não se oferece o principal: oportunidade de efetivamente trabalharmos pelo Distrito Federal.
Para mim isso não é honesto. Por isso, após buscar, de todas as formas, mas sem êxito, um lugar onde me fosse dado trabalhar pelo Distrito Federal, cheguei a conclusão de que não dá mais.
Eu mantenho meu compromisso com todos aqueles que depositaram sua confiança em mim e me deram seu voto.
Eu quero trabalhar por Brasília e não vou ficar acomodado.
Apresentei projetos e idéias para serem desenvolvidas junto à sociedade, mas não obtive retorno.
Realmente, como ficou constatado por Marina Silva e os que há um tempo atrás deixaram o PV “A direção do partido, em sua maioria, disse não à democratização de suas estruturas institucionais, ao diálogo com a sociedade e a um projeto autônomo de construção partidária.”
Concordo que as propostas de campanha não poderiam ter ficado enclausuradas em estruturas arcaicas de poder.
Assim, junto-me à Marina Silva e comunico à direção nacional do PV minha desfiliação em busca uma Brasilia justa e sustentável.
Não escrevo com alegria, pois vejo que as bandeiras pelas quais lutei e me fizeram entrar no PV não são mais respeitadas pelo próprio Partido.
Além disso, o discurso de renovação e de atuação eficaz, deu lugar à prática política que sempre abominei: segregadora e personalista.
Não posso compactuar com um Partido que emprega seus filiados e não lhes dá trabalho nem oportunidade de desenvolverem suas idéias.
Aqueles que desejaram minha derrocada podem se regozijar, mas saio do PV sem ser dominado.
Saio para um chamado maior, para honrar meus princípios, meus amigos e todos que me apoiaram, me apoiam e que dividiram comigo o sonho de 2010, confiando seu voto em mim e nas idéias que represento.
Não chegaria a este ponto extremo de abrir mão de meu cargo e desfiliar-me se eu não considerasse a situação insustentável.
Sei que a vida segue por caminhos planejados, que embora pareçam trilhas desconhecidas e misteriosas, sempre levam a um porto seguro.
E, como diria Steve Jobs, lá na frente verei onde os pontos irão se encontrar.
Mas como somos nós os responsáveis por nossas escolhas e são elas que definem quem somos e em quem nos tornamos, sei que nesse momento essa é a atitutude correta.
Saio do PV depois de quase 3 anos. Neste período conheci grandes pessoas com os quais tenho a certeza de que ainda terei o prazer de ombrear em muitas lutas futuras. Tive o prazer de dividir legenda com um grande ícone e exemplo em minha formação política, que foi Marina Silva. Cada conversa foi um grande aprendizado, e cada momento de convivência uma honra. Ademais, continuará a ser uma líder a ser seguida e a fazer a diferença em nosso País.
Agradeço o apoio e a receptividade que sempre encontrei no colega Nilton Reis, um verdadeiro trabalhador do Partido em Brasília e em outros que não preciso dizer os nomes, pois sabem que estiveram ao meu lado. São pessoas que poderiam estar dando boas contribuições para o Distrito Federal, mas cujo potencial está sendo desperdiçado. A estes agradeço pelos conselhos e momentos em que estivemos juntos pensando numa forma de se fazer boa Política. Continuaremos unidos em busca da mesma causa.
Quem me conhece sabe que sou autêntico e não aceito ficar de mãos atadas, olhos vendados e boca calada diante daquilo que acho injusto.
Não posso deixar de agradecer a oportunidade que o Partido Verde me deu de concorrer às eleições de 2010, mas agora entendo porque o Partido recebe tantas críticas e é chamado de verde porque nunca vai amadurecer.
Perdeu a grande oportunidade de alavancar no cenário nacional ao abrir mão de Marina Silva.
O que pude perceber é o Partido prefere a estagnação, pois seus dirigentes não aceitam largar o osso dos cargos comissionados que recebem em troca de alianças espúrias. Dessa forma, afastam o partido de seus princípios e ideais políticos e sociais.
Por isso termino aqui minha história com o PV na certeza que encontrarei em outro partido a oportunidade de trabalhar por Brasília, esperando ser recebido como uma pessoa que quer somar ao processo político, lutando e trabalhando de forma limpa, eficaz, transparente, democrática e livre para o bem de todo o Distrito Federal.
Eu não poderia permanecer em um Partido que não me proporcionava condições de me manter fiel aos meus princípios e aos princípios do próprio PV, nem aceitar modelos de ação nos quais eu não acredito e que não propiciam a mudança coletiva para melhor.
De repente me vi em um conflito de pensamentos entre forças existentes no partido e minhas convicções.
Por várias vezes solicitei trabalho, pois não aceitava cumprir o horário de expediente sem ter absolutamente nada para fazer, e isso não era só comigo, era e continua sendo com a maioria. Maioria essa que aceita tal condição com medo de ficar sem seu salário ao final do mês.
Imagino que o mesmo esteja acontecendo em outras Secretarias e talvez por isso o Distrito Federal esteja como está.
Pura falta de planejamento estratégico, falta de pessoas que saibam administrar e delegar serviço.
Vemos nos noticiários a Saúde em estado deplorável e penso na quantidade servidores do Governo do Distrito Federal que poderiam estar ajudando, atendendo pessoas, e que, infelizmente, estão subaproveitadas.
Daí, surgem os fiascos. Como o que presenciei ontem ao levar minha família para assistir à final do Campeonato Mundial de Patinação, no Ginásio Nilson Nelson: patinadores de alto nível caindo em razão de GOTEIRAS em plena pista de patinação, funcionários tendo que ir secar a pista com panos de chão no intervalo de cada apresentação. Fato vergonhoso e injustificável, principalmente, se consideramos que bem ao lado existem sabe-se lá quantas pessoas trabalhando na construção da menina dos olhos do Governador Agnelo: o Estádio Nacional de Brasília.
Por essas e outras, pelos compromissos que firmei com amigos e eleitores e pela vontade de lutar na política, apesar das adversidades constantes que são parte dela, é que tomo esta decisão em busca de coerência e ética.
Saio com a consciência tranqüila, certo de que esta é a hora de seguir para novos ares para não enterrar meus valores e poder continuar lutando pelo sonho da transformação social honesta, limpa, sustentável e digna.
Quero continuar minha luta por um Distrito Federal que sonhamos e merecemos.
Obrigado a todos que apoiarem nesta decisão, tomada porque acredito que é possível fazer política sem se vender.
Quando resolvi entrar na Política e me candidatar, o fiz por acho que a esperança do Distrito Federal está em termos representantes nascidos e criados aqui, que como eu tenham verdadeiro amor por sua terra, compromisso com seus eleitores.
Brasília é uma cidade jovem, que sempre foi governada e representada por pessoas de fora, acredito muito que na hora em que os Brasilienses começarem a assumir cadeiras políticas as coisas vão melhorar.
Coloco-me de braços abertos e ouvidos atentos para receber e ouvir a cada uma e a cada um que queira conversar sobre os pormenores de toda essa história.
Que venham Novos tempos! Conto com vocês nesta caminhada.
André Luz Cesar Passos (André Esqueleto)