tão especial quanto deveria ser

Alguns artistas entram para o nosso panteão particular de heróis com estardalhaço, arrombando a porta. Outros chegam de mansinho e logo estabelecem morada. Mas existem alguns que parecem já ter seu lugar cativo desde sempre. Robert Allen Zimmerman se encaixa nesta última categoria.

Seu álbum Desire (1976), foi um dos álbuns que mudaram o meu mundo. Mas desde sempre o nome Bob Dylan representou algo a mais do que um artista que gosto de escutar: é alguém que eu preciso escutar de tempos em tempos. A riqueza de sua poesia, sua importância incomensurável para a história da música pop mundial, sua vida conturbada, seus erros, seus acertos, a gaita inconfundível, sua capacidade quase inesgotável de se reinventar (capacidade essa somente comparável a outro membro do meu panteão, o camaleão David Bowie)… Enfim, tudo isso fez – e continua fazendo – com que ele seja presença constante em meus ouvidos, no meu coração e na minha alma.

Tudo isso, somado ao fato de ter esperado 14 anos para ter a chance de vê-lo e ouvi-lo de perto, ao vivo e a cores, fez com que o dia 17 de abril de 2012 tenha sido um dos dias mais felizes de minha vida.

Não sou crítico musical, não sei avaliar se a apresentação de Bob Dylan em Brasília foi um grande show. Eu sei que muitos reclamaram da qualidade do som no Ginásio Nilson Nelson, do preço dos ingressos, da falta de interação com o público, da falta de hits… Não entrarei nesta discussão pelo simples fato de que ela não se impõe para mim. Pra mim, sua apresentação não foi menos do que mágica.

Sua voz – que tantos reclamam; era a sua voz. Isso bastava. Estava ouvindo Bob fuckin’ Dylan cantando músicas que me tocaram, tocam e continuarão tocando fundo na minha alma. Aquela voz cansada, quebrada e consumida pelo tempo, era a voz da urgência, da necessidade de cantar. São 52 anos de estrada – e uma estrada tortuosa. Aquela voz representa tudo isso.

Ao sair do show, ainda em estado de êxtase, recebo uma mensagem da minha queridíssima amiga Erica – companheira de tantas coisas nesta vida, com quem compartilho boa parte dos heróis do meu panteão; perguntando: “E aí? Foi tão especial quanto deveria ser?” A pergunta resumia tudo aquilo que sentia porque o show de Dylan tinha que ser especial. E foi.

Realmente tão especial quanto deveria ser.

Obrigado por tudo, Mr. Zimmerman!

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