o príncipe das astúrias

Para mim, o maior artista vivo de todo o espaço sideral se chama Leonard Cohen. É um artista completo. Poeta, romancista, cantor, compositor e um perfomer. E que performer!

Um exemplo? Imaginemos a seguinte cena:

São 4 horas da manhã. Algo como 600 mil pessoas encontram-se entre o sono provocado pelo cansaço de 5 dias de um megafestival caótico e pelo frenesi após a conturbada apresentação de Jimi Hendrix e sua Experience (e que seria a última grande aparição de Hendrix, que morreria 3 semanas depois), com direito a palco sendo incendiado. Coube a Joan Baez tentar juntar os cacos e continuar as apresentações.

São 4 horas da manhã. A produção do festival vai até o trailer da próxima atração para acordar um já senhor de 35 anos, com 3 aclamados livros de poesia, 2 romances (magníficos, por sinal) e 2 álbuns (fundamentais para qualquer amante da música), para se dirigir ao palco do Festival da Ilha de Wight.

São 4 horas da manhã. As 600 mil pessoas entre o sono e o frenesi de um festival marcado pela desorganização e pela violência iminente observam a entrada no palco de um Leonard Cohen transmitindo… paz. Não uma paz política, mas uma paz espiritual que logo se espalha por todos. Ao pedir qque todos acendam seus fósforos, isqueiros e afins para olhar a pessoa ao lado, o que Cohen está dizendo é: “ele/ela é igual a você, não é melhor nem pior, simplesmente igual.” E arremata com sua maturidade poética e política lembrando o público flower power, que eles ainda precisavam de muito feijão com arroz antes de pensar em mudar o mundo: “vocês são uma grande nação, mas ainda são fracos. Ainda muito fracos. Precisam se fortalecer muito mais para poder exigir o direito à terra…”

E segue com sua magistral “Bird On The Wire”:

Like a bird on the wire,
like a drunk in a midnight choir
I have tried in my way to be free.
Like a worm on a hook,
like a knight from some old fashioned book
I have saved all my ribbons for thee.
If I, if I have been unkind,
I hope that you can just let it go by.
If I, if I have been untrue
I hope you know it was never to you. 

Like a baby, stillborn,
like a beast with his horn
I have torn everyone who reached out for me.
But I swear by this song
and by all that I have done wrong
I will make it all up to thee.
I saw a beggar leaning on his wooden crutch,
he said to me, “You must not ask for so much.”
And a pretty woman leaning in her darkened door,
she cried to me, “Hey, why not ask for more?”

Oh like a bird on the wire,
like a drunk in a midnight choirhave tried in my way to be free.

*  *  *

Assim nada melhor para iniciar o ano de 2012 neste blog do que homenagear àquele que foi e continua sendo a trilha-sonora dos momentos mais importantes de minha vida. Evoé, Mr. Cohen!

Segue abaixo o discurso de recebimento do Prêmio Príncipe das Astúrias de 2011:

E aqui a transcrição do discurso, em espanhol e em inglês

PS. a apresentação  de Leonard Cohen na Ilha de Wight está disponível em CD/DVD/bluray etc… Faça um favor a você mesmo e corra atrás!

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