red hot + rio volume 2

Quinze anos depois de produzir o interessantíssimo Red Hot + Rio, que presta homenagem a Bossa Nova, balançando o coreto com interpretações inesperadamente marcantes (como Cesária Évora, Ryuichi Sakamoto e Caetano cantando “É preciso perdoar” e David Byrne e Marisa Monte cantando “Águas de Março”), a Organização Red Hot, conhecida por angariar fundos para projetos contra a AIDS, lança um robusto álbum duplo como o segundo álbum homenageando a música brasileira.

Este Red Hot + Rio 2 é o décimo-sétimo lançamento da Red Hot, que tem álbuns memoráveis como o Red Hot + Rhapsody (em homenagem a George Gershwin); e homenageia, digamos assim, a tropicália. Segue a mesma fórmula de apresentar remixes, versões mais modernosas e músicas de artistas brasileiros da atualidade  muito boas (outras nem tanto). O resultado final é uma mistura, uma geléia geral como diria o guru da tropicália, Torquato Neto. Mas tenho a leve impressão de que a receita dessa geléia foi um tanto quanto exagerada. Perderam um pouco o ponto. O resultado ficou um tanto quanto esquizofrênico. Mas e daí? Adoro coisas esquizóides mesmo. Então vale a pena sim escutar/baixar/comprar porque os bons momentos das mais de 2 horas de audição acabam por eclipsar os exageros ou os desentendimentos de parte dos intérpretes, produtores etc.

Destaque para “Tropicalia” (Beck + Seu Jorge), “Um Canto de Afoxé para o Bloco do Ilê” (SuperHuman + Cults), “Aquele Abraço” (Forró In The Dark + Brazilian Girls + Angélique Kidjo), “It’s a Long Way” (Apollo Nove + Céu + N.A.S.A.), “A Cidade” (DJ Dolores + Eugene Hutz + Otto + Fred 04 + Isaar), “Bat Macumba” (Of Montreal + Sérgio Dias), “Águas de Março” (Atom + Toshiyuki Yasuda Feat. Fernanda Takai + Moreno Veloso), “Ogodô, Ano 2000” (Javelin + Tom Zé), “O Leãozinho” (Beirut) e uma versão de “Acabou Chorare” que tem um valor histórico à parte por ser interpretada por Bebel Gilberto, a filha daquele que mudou radicalmente o rumo da musicalidade dos Novos Baianos (antes ele já tinha mudado a história da música popular): João Gilberto.

Um destaque individual fica para a cantora/compositora folk californiana chamada Mia Doi Todd, que encara “Canto de Iemanjá”, de Baden Powell e Vinícius com muita atitude (além de um português bem ensaiado, tanto nessa música que faz parte dos Afrosambas, quanto em “Um Girassol da Cor de Seu Cabelo”, de Márcio e Lô Borges). Taí, comprar esse CD valeu a pena só por conhecê-la (ok, isso foi exagero).

Aqui uma provinha do primeiro Red Hot + Rio com a divina Cesária Évora acompanhada de Caetano e Sakamoto:

E agora um pouquinho da Mia Doi Todd, apresentando parte de Canto de Iemanjá (que faz parte de seu último álbum, Cosmic Ocean Ship):

Uma resposta to “red hot + rio volume 2”

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