um relato, uma moeda e um camaleão

Tenho que admitir: não sou um leitor voraz. Passo tempos sem ler, em outras épocas leio ferozmente. Tenho livros estagnados há anos, outros leio em dias. Como vivemos num mundo em que as coisas acontecem em uma velocidade avassaladora, a necessidade de urgência e de lermos tudo o que for possível, é substituída em mim pela necessidade enciclopédica de em nada se aprofundar mas de tudo saber… Enfim, cada doido com sua mania. Eu fico com as minhas e vocês com as suas. O que importa é que estou lendo 3 livros e cada um, à sua maneira, são fundamentais para qualquer leitor deste blog.

HATOUM, Milton. Relato de um certo oriente. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. 

Quando fui apresentado à obra de Milton Hatoum, percebi que tinha em minhas mãos uma jóia preciosa que trato com muito carinho e respeito. Foi paixão à primeira vista, todos os seus livros me tocam de uma maneira que nenhum outro escritor conseguiu. Claro que o fato de ser seu conterrâneo e conhecer suas raízes familiares influiu decisivamente nisso tudo, mas essa identificação tem muito a ver com a capacidade de Hatoum em tornar universal aquilo que é mais íntimo: a saudade. Sua obra é uma busca incessante por uma memória coletiva, uma memória urgente para que o esquecimento não engula o passado – um passado muitas vezes idealizado, é verdade; transformando-nos em seres sem raízes.

Este, que é o primeiro livro de Milton Hatoum, calhou de ser o único que ainda não terminei de ler. Impressionante é perceber que já em sua primeira obra, ele já apresentava os elementos que o credenciam hoje a ser – na minha opinião e na de muitos – o maior escritor brasileiro em atividade.

LEITÃO, Miriam. Saga brasileira: a longa luta de um povo por sua moeda. Rio de Janeiro: Record, 2011.

De tanto ouvir o comercial desse livro na CBN, não resisti e fui mais uma vítima do marketing. De leitura fácil, escrita ágil, envolvente, Saga brasileira merece a leitura por tratar de um tema que hoje parece batido, mas que quem se lembra – mesmo que remotamente – do tempo em que o nosso dinheiro não valia absolutamente nada, sabe a importância.

Conhecer a história da(s) moeda(s) do Brasil é conhecer o Brasil de uma maneira inusitada, mas não menos interessante. Através da apresentação e dissecação dos planos econômicos das últimas décadas, é possível entender toda a complexidade deste país enfrentou somente no período de 1964 a 1994, incríveis 1 quatrilhão, 302 trilhões, 442 bilhões, 989 milhões, 947 mil e 180 por cento de inflação acumulada. O número é grande, a história por trás dele também.

Por último: NÃO, apesar do que pudesse parecer, o livro não é uma obra de exaltação ao Plano Real e à tucanocracia. Talvez esse seja um dos pontos mais positivos do livro.

SPITZ, Mark. Bowie: a biografia. São Paulo: Benvirá, 2010. 

Bowie nunca foi uma paixão para mim. Tanto que não sou profundo conhecedor de sua obra: o pouco que conheço, adoro. Mas o principal é que sempre suspeitei de sua importância na música pop nas últimas décadas. Daí eu ter gostado tanto do presente que ganhei no último natalício da querida Paulinha. Este comecei agorinha e só li o prólogo, que é um primor. Um primor principalmente porque mostra o tamanho da importância e da influência de Bowie até hoje, ao relatar uma apresentação de 2005 da banda que é considerada por muitos, a última coca-cola do deserto, Arcade Fire.

O relato de como o camaleão Bowie, do alto de seus quase 50 anos de carreira, se integra à banda de jovens canadenses já vale o livro. E, no meu caso, vale pelo desejo que despertou em mim de conhecer mais da obra de Bowie. E do Arcade Fire.

(Na amazon.com dá pra ler o prólogo todo, só que em inglês. só acessar AQUI)

2 Respostas to “um relato, uma moeda e um camaleão”

  1. Diogo de NAzaré Says:

    Olá! Percebo que temos várias paixões em comum, mas nenhuma maior que Julio Barroso, li que sente saudade dele sem ao menos o ter conhecido… Sinto o mesmo…

    Bem estou começando um projeto sobre ele, gostaria de conversar contigo sobre isso, vc tem algum email onde possamos trocar figurinhas?

    Meu email é diogodenazare@gmail.com

    Aguardo seu retorno
    Abraço
    Diogo

    • coelhoraposo Says:

      Olá Diogo, fico feliz em saber que estás começando um projeto sobre o Júlio. Um dos meus sonhos é o de participar de algum doc sobre a vida dela que foi riquíssima. Vi que me adicionaste no facebook, lá tem meus contatos.

      amplos amplexos!

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