torquatoneteando

Nada mais atual.

“O chato, Hélio, aqui, é que ninguém mais tem opinião sobre coisa alguma. Todo mundo virou uma espécie de Capinam (esse é o único de quem eu não gosto mesmo: é muito burro e mesquinho), e o que eu chamo de conformismo geral é isso mesmo, a burrice, a queimação de fumo o dia inteiro, como se isso fosse curtição, aqui é escapismo, vanguardismo de Capinam que é o geral, enfim, poesia sem poesia, papo furado, ninguém está em jogo, uma droga. Tudo parado, odeio.”

(trecho de correspondência entre Torquato Neto e Hélio Oiticica em 1971)

 

Você me chama
Eu quero ir pro cinema
Você reclama
Meu coração não contenta
Você me ama

Mas de repente
A madrugada mudou
E certamente
Aquele trem já passou
E se passou, passou
Daqui pra melhor, foi!

Só quero saber
do que pode dar certo
Não tenho tempo a perder

(Go Back, Torquato Neto)

 


2 Respostas to “torquatoneteando”

  1. Andrea Says:

    Eu concordo mas ao mesmo tempo não julgo quem entra nesse conformismo porque o contrário é muito difícil. Está em jogo é difícil e talvez seja algo pra poucos mesmo…
    Absurdo o que eu falei?

  2. Parece que o Torquato andou falando mais do “sorridente mestre de cerimônias”. Parece que ele se refere, em “Pessoal intransferível” a alguns Capinans:

    PESSOAL INTRANSFERÍVEL

    escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. é o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela. nada no bolso e nas mãos. sabendo: perigoso, divino, maravilhoso. poetar é simples, como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena etc. difícil é não correr com os versos debaixo do braço. difícil é não cortar o cabelo quando a barra pesa. difícil, pra quem não é poeta, é não trair a sua poesia, que, pensando bem, não é nada, se você está sempre pronto a temer tudo; menos o ridículo de declamar versinhos sorridentes. e sair por aí, ainda por cima sorridente mestre de cerimônias, “herdeiro” da poesia dos que levaram a coisa até o fim e continuam levando, graças a Deus. e fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar. citação: leve um homem e um boi ao matadouro. o que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi. adeusão.
    (Torquato Neto na sua coluna jornalística “Geleia Geral” [creio que era do “Última hora”])

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