qual o sentido da coerência? – parte 2

Certa vez disse que a política é pragmatismo em forma de arte. Para alguns, essa afirmação pode ser vista algo como cínica. Mas não vejo desse jeito: algumas pessoas tendem a ver sonho e pragmatismo como atitudes conflitantes. Não vejo assim. É possível sim aliá-las. Inclusive é somente assim que se consegue conquistar algo: é preciso desejar, ambicionar e depois traçar planos para efetivá-los.

Para seus detratores, Gilberto Mestrinho formou, a partir de 1982, um grupo nefasto que domina o Amazonas. Não é bem assim. Mestrinho formou sim um grupo. Ninguém governa sozinho, alianças são e sempre serão necessárias. Lula, por exemplo, não conseguiu governar nestes últimos 8 anos somente baseado em seu carisma messiânico-populista, foram as alianças que o alçaram à condição de quase total unanimidade no país. Deixo claro aqui que não estou fazendo juízo de valor algum, afinal existem formas e formas de construir alianças e, no Brasil, há a tendência de se confundir formação de alianças com cooptação (muitas vezes espúria) da oposição.

Mas voltando ao âmbito regional, falo de grupos, alianças para reafirmar o papel fundamental da coerência na política. E falando em coerência, afirmo: Omar Abdel Aziz é a melhor escolha no momento para governar o Amazonas nos próximos 4 anos, mas não por causa do ditado popular que fala que “em time que está ganhando não se mexe”, mas sim pelo fato de que falta ao seu adversário, Alfredo Nascimento, algo fundamental a qualquer político: impôr sua personalidade e falta total de projetos. Ambição é algo elementar para qualquer um, mas ambição vazia de projetos vira (…)

Bem,este era o rascunho que tinha emaneira melancólica.scrito para a segunda parte desta postagem. São 3h30 do dia 04 de outubro e as eleições já passaram. Mas o que eu tinha que dizer continua atual: Omar Abdel Aziz foi reeleito com algo como 64% dos votos válidos: uma vitória acachapante e que mostrou, principalmente à cúpula do governo federal, que a aposta numa candidatura vazia de ideias e de musculatura capitaneada pelo ex-prefeito de Manaus, ex-ministro dos transportes e “quase tudo” (como definido por Aziz no derradeiro debate da Rede Amazônica), Alfredo Nascimento; naufragaria de

O governador reeleito e o ex-prefeito de Manaus e ex-ministro Alfredo Nascimento. Foto: Raimundo Valentim

Para deputado federal, tive o prazer de ver meu candidato a deputado federal, o ex-deputado federal por 4 mandatos (1991-95, 1995-99, 1999-2003 e 2003-07), Pauderney Avelino retornar à Câmara dos Deputados para tentar ocupar o espaço deixado nestas eleições por Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro Neto, senador combativo que nos últimos anos – concordando ou não com suas atitudes – de forma brilhante representou o Amazonas. Perdeu o Amazonas e perdeu o Brasil por não reelegê-lo. Esperemos agora que o senador eleito Eduardo Braga, também faça valer seus quase 1,3 milhão de votos.

Arthur Virgílio, Pauderney Avelino e Eduardo Braga. Fotos: Arquivo Folha de S. Paulo e Arquivo A Crítica.

Em tempo, João Thomé Mestrinho não foi eleito. Mas com a sensação de dever cumprido, com as mãos limpas por não fazer uso de mecanismo espúrios em sua campanha, tenho a certeza de que honrou cada um dos 10.391 eleitores que o honraram com seus votos de confiança num projeto de renovação e resgate do nome da Assembléia Legislativa do Amazonas.

ps. quero ainda parabenizar o senador eleito mais votado por São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, que mostrou que propostas e história de trabalho valem mais do que nomes midiáticos e pagodes de quinta. Uma pena que por outro lado, Lindbergs, Romários, Tiriricas e congêneres sejam eleitos enquanto figuras como as de Heloísa Helena e Germano Rigotto percam para aventureiros de plantão…

ps 2. Com a decisão da eleição presidencial postergada para o segundo turno, penso seriamente em votar em José Serra, principalmente após o boato corroborado por alguns interlocutores com livre trânsito em Brasília de que Marina Silve pode vir a substituir o tresloucado Índio da Costa como seu candidato a vice-presidente.

ps 3. Postagem escrita ao som dos magistrais Blonde on Blonde, Blood On The Tracks e The Basement Tapes todos de Bob Dylan (o último com The Band), tirem as conclusões que quiserem.

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