love on my terms

É muito bom passar por dias como o que passei hoje: dormi um, acordei outro. Simplesmente quando cai o pano e se estabelece a divisão entre palco e platéia, realidade e fantasia, tudo fica mais claro. Atores despem-se das personagens, a platéia sai do transe e levanta-se da poltrona rumo a pizzaria mais próxima ou simplesmente para casa retomar à rotina do dia-a-dia. Comigo caiu o pano, caiu a ficha. Tudo aquilo que disse na famigerada carta não enviada continua verdadeiro (tenho o péssimo hábito de não desdizer o que disse um dia), mas parte do passado, de um passado remotamente próximo, mas passado. É muito incrível como certos sentimentos tomam conta de você até você não poder mais controlá-lo. Mais incrível ainda é perceber o quanto nós somos levados tão facilmente por coisas que simplesmente não existem. Nosso desejo de ver uma fantasia ser real é tão intenso que nos leva às piores infantilidades, erros de timing e calibragem…

Enfim, nada disso mais importa. O que importa é que – mais uma vez – tentei deixar a porta da minha vida aberta para alguém entrar, mas os convites foram sussurros que não sei se foram ouvidos. Mas uma das constatações mais interessantes foi a de perceber que todo este amor, ou talvez mais especificamente este desejo de amar, serve como oxigênio, combustível para me manter vivo: as protagonistas mudam (Ok, confesso que algumas permanecem sempre presentes, independentes de onde estejam física ou espiritualmente), mas a matéria-prima disso tudo está em mim! Isso, como num passe de mágica, me serenou, como só Walter Franco ou Tom Jobim conseguem. Uma amiga me disse que esse meu “tipo” de amor sufoca, amedronta. Ora, esse é o MEU amor, MEU sentimento, faço dele o que quiser. Quem quiser provar dele, vai ser sob meus termos, como quando Charles Foster Kane, em Citizen Kane(1941):

“A toast, Jedediah, to love on my terms. Those are the only terms anybody ever knows – his own.”

Respeito, antes de mais nada, a coerência. Seja na arte, seja na política, seja nas relações amorosas, a coerência faz parte da fundação de qualquer tipo de trajetória. Ser coerente consigo mesmo é a primordial. Assim, o crucial neste momento para mim, é abraçar meus termos, minhas condições. Quero amar e ser amado dessa forma: intensamente, verdadeiramente, um amor juvenil, um amor maduro, romântico. Não tenho vergonha de me encantar num primeiro encontro, apaixonar-me ao primeiro olhar, mandar flores, escrever cartas. Sou assim. Quem quiser gostar de mim, eu sou assim.

Those are my terms.

Uma resposta to “love on my terms”

  1. Bonitão do Amor Goiano Says:

    Cara, fiquei meio reflexivo. Concordo com tudo que tu disse. Agora é tarde; um email logo se seguirá, elaborando sobre as reflexões que tu me suscitou. Tu é meu herói, cara. BEIJO

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