os 25 álbuns que mudaram o (meu) mundo – parte 3 de 5

Depois de um longo hiato, a terceira parte lista! Depois diga o que acharam.

O Grande Show, ao vivo no Procópio Ferreira , 1979 – Baden Powell

Se João Gilberto criou a batida da Bossa Nova, Baden Powell é criou um estilo único de ataque ao violão: selvagem e tecnicamente impecável. Sem Baden Powell não teríamos tido Raphael Rabello nem Yamandu Costa, seus seguidores. Conheci Baden através de meu pai, que na década de 70 teve o prazer de conviver com o violonista nas rodas de samba que frequentadas por ambos no Recreio dos Bandeirantes. Cresci ouvindo falar dele até que um belo dia comprei esse vinil duplo que registra o show de retorno de Baden ao Brasil, depois de alguns anos morando na Europa.

Show fantástico produzido pelo jornalista Sérgio Cabral, registra Baden no auge de sua maturidade musical, interpretando standards da música brasileira, sendo muitos deles de sua autoria, seja com Vinícius de Moraes (“Samba da Bênção”, “Tempo Feliz”, “Berimbau” e “Canto de Ossanha”), seja com a magistral “Refém da Solidão”, composta com Paulo César Pinheiro, temas próprios como “Petit Valsa” e “Tributo a Juazeiro” , além de reinterpretações geniais como uma versão calcada no blues de “Asa Branca”, clássico indispensável de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira e uma versão frenética de “A Lenda do Abaeté”, de Dorival Caymmi.

A banda que acompanha Baden Powell merece destaque: o baixista Saulo Bezerra de Melo, Don Bira e Jorginho Cebion na percussão, além da sensacional bateirista Lilian Carmona. Um álbum que qualquer amante da música brasileira que se preze deveria, ao menos uma vez, escutar. Pena que nunca tenha sido relançado em CD. Parabéns aos sortudos qua o tenham em vinil.

Harvest, 1972 – Neil Young

Comprei esse álbum na loja Musical Center numa manhã de sábado, não tinha muito o que esperar dele. Para mim, Neil Young só era mais um nome daqueles que a gente sabe que precisa respeitar mas não sabe muito bem o porquê. Ao chegar em casa e escutar aos primeiros acordes de “Out Of The Weekend”, vi que tinha em mãos um tesouro: daqueles que não se pode vender, trocar, emprestar. Logo me tornei fã incondicional dele e de toda a sua obra. Ao som desse álbum, já chorei, já me alegrei, me pacificou… Desde então, I’ve been a miner for a heart of gold!

Histoire de Melody Nelson, 1971 – Serge Gainsbourg

Certa vez, conversando com Sérgio Moriconi – uma das minhas grandes influências, cinematográfica e musicalmente falando; ele me contou sobre a caixa com a obra integral de Gainsbourg. Não o conhecia, para mim era só o “cara que fez” Je t’aime, moi non plus: a música e o filme. Ao longo dos anos, dele ouvi uma coisa aqui, outra ali, até que me deparei com este álbum na internet, em alguma lista dos mais influentes álbuns da década de 1970: Histoire de Melody Nelson é qualquer coisa de fantástico. Os 30 e poucos minutos de duração passam num instante e você quer ouvi-lo novamente o tempo todo. Em um post passado, descrevi o sentimento de estupefação que me tomou ao escutá-lo pela primeira vez: cliquem no link acima e ouçam do que estou falando.

Jobim, 1970 – Victor Assis Brasil

No La Película Café, que minha mãe teve entre 1995 e 2005 no Cine Brasília, também funcionava uma pequena livraria que tinha um acervo pequeno, porém bem sortido de livros de arte, poesia, anarquismo etc. Durante um certo período, também tivemos CD’s à venda: uma loja, já extinta, deixara vários títulos em consignação para vendermos. Desnecessário dizer que a grande maioria deles foram adquiridos por mim mesmo. Entre eles estava este do fenomenal saxofonista Victor Assis Brasil, interpretando clássicos do Tom Jobim. Jazz da melhor qualidade. Uma pena que Assis Brasil tenha vivido tão pouco, seria uma unanimidade.

Little Creatures, 1986 – Talking Heads

A banda liderada por David Byrne é algo impossível de rotular: é new wave? É pós-punk? É world music? É art rock? Eu, particularmente não sou afeito a rótulos, gosto de música boa, este é minha maneira de classificar música. E Talking Heads não é bom: é genial! Deveria ter uns 14 anos e estava de férias no Rio de Janeiro com minha mãe, quando ela comprou alguns vinis vendidos por um ambulante da rua do Catete. Dentre eles, estava uma cópia já meio surrada deste Little Creatures, algumas canções já tinha escutado em algum momento.

Como no caso da escolha de Avalon, para representar Roxy Music nesta listagem, Little Creatures não é meu álbum preferido do Talking Heads, mas além de ter sido minha porta de entrada para seu universo musical, ele é uma sucessão de canções fantasticamente bem produzidas, com letras fantásticas e arranjos que resgatam as raízes do country, sem ser algo excessivo e sem perder algo que – também como a banda de Bryan Ferry – é fundamental para a consolidação de um grupo de música: a capacidade de não comprometer sua visão artística mesmo sendo altamente pop. A lista de músicas é uma sucessão de canções que te botam pra cima, deixando um sorriso no seu rosto. É o último grande álbum do Talking Heads antes do fim da banda no início da década de 1990, quando Byrne se lançou ao mundo como um verdadeiro arqueólogo musical, através de seu selo Luaka Bop. Mas isso é assunto para o 25º membro desta lista.

Uma resposta to “os 25 álbuns que mudaram o (meu) mundo – parte 3 de 5”

  1. […] Histoire de Melody Nelson, Serge Gainsbourg – ah, melody… […]

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