“Música pra mim é feito o ar que eu sorvo…”*

Desde que me entendo por gente que a música é parte central na minha vida. Tentei, em vão, ser músico, não deu certo. Ainda bem porque seria daqueles músicos perfeccionistas chatos que fazem coisas enfadonhas que se ouve somente com a cabeça. Mas meu ecletismo quase patológico nasceu ainda na época em que arranhava os vinis da minha mãe (até hoje quando vejo algumas das minhas “vítimas” – os discos arranhados com as capas rasgadas – fico muito puto comigo mesmo). Lembro-me bem que devo muito de meu conhecimento musical a Rádio Nacional FM, que minha mãe insistia em manter sintonizada simplesmente o dia todo (ao acordar, a primeira coisa que ela fazia era ligar o rádio). Foi escutando a Nacional que conheci Beatles, por exemplo, quando existia o incrível Beatles Revolution que passava aos sábados no fim da tarde e no domingo ao meio-dia. Lembro como se fosse hoje de ir para o Parkshopping aos sábados e ouvir Beatles Revolution  no carro, o mesmo carro que combalidamente nos serve ainda hoje. 

Enfim, musicalmente devo muito a minha mãe: de Caetano a Sting, de Dire Straits a Beatles, de Tom Zé a Pat Metheny, de Elomar a Cat Stevens e milhões de outras coisas que fui conhecendo ao estar com ela, com seus amigos e com seus discos (que no momento certo foram, com muito orgulho, subtraídos por mim). Sendo hoje música pra mim feito o ar que sorvo, não existem palavras, músicas, flores, poemas que agradeçam essas manhãs ao som da rádio Nacional proporcionadas por você.

Eternamente grato por ser seu filho.

Feliz Dia das Mães, mamãe!

 

* Samba de um breque (Guinga/Aldir Blanc)

 

ps. como ainda não consegui me entender direito com o WordPress, não consegui ainda encontrar uma maneira de colocar players de música incorporados no post, por isso vou tentar disponibilizar uma playlist para download como trilha-sonora.

6 Respostas to ““Música pra mim é feito o ar que eu sorvo…”*”

  1. mother Says:

    Ah!…meu filho…vc me desmontou. Quando toca fundo, lá no fundáo do coraçao, as palavras náo conseguem vir à tona. Eu quase as ‘vejo’ correndo de um lado para o outro, trombando umas com as outras sem saberem para onde ir nem se juntarem para dizer “obrigada, meu filho, eu te amo…e amo cada vez mais quanto mais te conheço”, quanto mais fico sabendo da tua capacidade, da tua generosidade e gratidáo para com teu passado, por coisas que eu náo sabia que vc sabia e guardava… e hoje, lendo esse lindo texto te vi de uma maneira táo nova, táo especial. Talvez por ter estado táo ocupada/distraída em ser só tua máe, náo percebi a pessoa atenta e sensível que vc é, e que eu, pela graça de Deus, tenho a alegria de chamar de filho.
    Como minhas ansiosas palavras se empolgaram nesse quase breve comentário, devo agora pôr um freio nelas, terminando com algumas sábias palavras do Caio -já que falamos hoje nele- que nos ensina que amamos melhor a quem amamos, quando amamos mais a Jesus. E sabe por quê? porque Jesus é amor, e o amor Nele e com Ele, é melhor. E é assim que quero seguir te amando. Menos/Mais/Melhor.
    Obrigada por ser meu filho. Feliz dia da máe feliz para vc.
    Beijos, muitos beijos….

    (Se preferir, conserta os acentos; seus ensinamentos sobre os espaços depois das vírgulas eu aceitei, mas os acentos… )

    Lamento, acho que o primeiro comentário tava melhor, but…

  2. coelhoraposo Says:

    :***********************************

  3. Mariana Says:

    Caramba! Eu tbm ouvia mto Nacional FM qnd era pequena, lembro demais de Beatles Revolution hehehehe

    • coelhoraposo Says:

      Era muito bom o programa. Sempre me perguntava de onde eles tiravam tanta música dos beatles… Lembro que quando o anthology foi lançado, ainda existia o programa que sempre começava com pepperland, do yellow submarine, aí o narrador falava “começa agora na nacional fm, Beatles Revolution”, aí entrava “you say you want a revolution/well you know…”
      🙂

  4. […] que minha mãe fazia era ligar o Rádio, sintonizando na Nacional FM. Isso já disse antes, na homenagem que fiz à minha mãe ano passado. Assim, a voz do João Gilberto sempre esteve presente na minha vida, desde o início dos tempos. […]

  5. A Sua mãe, meu amigo, teve influência quase maternal na formação cultural de muita gente. Além de desempenhar a formação de sentidos do filho, também atuou na de não filhos; fieis ou infiéis, queridos ou nem tanto, o fato é que se nutriram de seus ares. A lista é grande. Eu a considero parte integrante da atmosfera que me formou (coresponsável, apenas, pelo que de bom saiu daqui).

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