Arquivo para homenagem

midnight express

Postado em Genealogias de minhas paixões com as tags , , em 03/12/2009 por coelhoraposo

pensei em mil coisas no dia de hoje
pensei em todos os dias em que estive contigo
pensei em todos os aniversários que passamos juntos
pensei no tempo que não deixa de ser tempo
imutável

hoje estou aqui, 13 horas distantes de ti
milhares de quilômetros nos separam
mas nada – absolutamente nada
pode me impedir de te dizer
feliz aniversário, meu amor!

Seja feliz,
tome posse do que é seu:
conquiste o mundo!

ps. não sou poeta, como sabes. Mas dane-se a métrica o que importa é o sentimento!

Ser feliz é bem possível…

Postado em Genealogias de minhas paixões, musique non stop com as tags , , em 04/09/2009 por coelhoraposo

ataulfoitamar

Pensei em falar do Grupo Corpo, pensei em falar do pré-sal, pensei em falar de Chet Baker, pensei em falar do cartão C&A, acabei não falando de nada. É assim que minha mente funciona atualmente: falta foco, falta um desejo de transformar em palavras bem concatenadas o que sinto, o que vejo, o que penso.Enfim, chego sempre à mesma conclusão: outros já disseram o que penso, o que sinto, o que vejo melhor que eu.
E por falar nisso, não há a menor dúvida de que Itamar Assumpção é/foi um destes que melhor sintetizaram meus sentimentos, meus pensamentos… Ataulfo Alves era assim, falava com uma simplicidade inigualável o que há de mais complexo na alma humana. Não é à toa que Itamar gravou um disco em homenagem a Ataulfo: ambos falavam, a seu modo, das mesmas coisas. A rotina da vida a dois, as agruras do trabalho, o desejo de ascenção social… tudo isso está presente na obra de ambos. E o melhor: de uma maneira simples e direta. Ataulfo, à sua maneira, revolucionou o samba. A Itamar coube revolucionar o que se convencionou chamar de MPB, pena que poucos perceberam isso. Ataulfo foi-se celebrado, o nego-dito foi-se quase esquecido…

Evoé, Ataulfo Alves e seu centenário! (1909 – 2009)

Evoé, Itamar Assumpção e seus sessenta anos de nascimento! (1949 – 2009)

Minha singela  homenagem:

“Laranja Madura”, um clássico fundamental de Ataulfo Alves no arranjo soul de Itamar com participação de outro maldito – Jards Macalé; recriando o clássico samba-canção da música brasileira.

Laranja Madura (Ataulfo Alves)

Ouça aqui!

Você diz que me dá casa e comida
Boa vida e dinheiro pra gastar
O que é que há, minha gente o que é que há
Tanta bondade que me faz desconfiar
Laranja madura na beira da estrada
Tá bichada Zé ou tem marimbondo no pé

Santo que vê muita esmola na sua sacola
Desconfia e não faz milagres não
Gosto de Maria Rosa mas quem me dá prosa é Rosa Maria
Vejam só que confusão

Laranja madura na beira da estrada
Tá bichada Zé ou tem marimbondo no pé

“Sutil”, uma das mais belas canções de Itamar Assumpção, na voz da melhor cantora em atividade no Brasil, a divina Ná Ozzetti.

Sutil (Itamar Assumpção)

Ouça aqui!

Sendo fim também és
Tu és meio e começo
Sim e não, norte e sul
Direito avesso
Você me seduziu desde o inicio
Sendo assim porém fica mais difícil

É muita luz pra pouco túnel
É muita areia para o meu caminhãozinho
Meu bem eu morro de ciúmes até do sol
Que bronzeia você com carinho
Algo me diz pra ser sutil
Não faço idéia mas me resta um caminho
Pedir socorro teu perfume é fatal
Quanto as patas de um felino

Pode parecer incrível
Me deu na telha te dar meu coraçãozinho
Além de entregar meu telefone e o ramal
Ligues rapidinho

Ser feliz é bem possível
A lua cheia me reduz a pedacinhos
Eu viro prata, viro loba
Eu viro viro vampira
Viro menina

Cê tá pensando que eu sou lóki, bicho?

Postado em Genealogias de minhas paixões, musique non stop com as tags , , em 18/08/2009 por coelhoraposo

img_esquerda

Acabo de chegar do Teatro do Bancários onde finalmente assisti Loki – Arnaldo Baptista. Quando passou em Brasília no fim de junho, não fui porque tinha a famigerada monografia me consumindo as tripas. Quando me libertei, tinha saído de cartaz. A projeção foi muito ruim: áudio sem sincronia e mal distribuído nos alto-falantes, a imagem bem ruinzinha, não tinha pipoqueiro na frente do teatro (cheguei ávido por um saco de pipoca para esbaldar)…

Mas apesar de tudo isso, adorei. E adorei porque adoro Arnaldo. O documentário tem o mérito de ser um homenagem há muito tempo devida a um dos maiores nomes da música brasileira. Alguns depoimentos são muito interessantes (o tapa de luva de pelica que o irmão Sérgio dá em Rita Lee é  um deles), outros nem tanto. Mas o principal é que, apesar do tom de exaltação a figura de Arnaldo presente em todo o filme, ele é apresentado no que tem de melhor: a sua visceralidade, seus sofrimentos, sua volta por cima e sua busca pela felicidade e pela paz de espírito.

Filme emocionante. Triste mas que nos mostra o quanto é fácil ser feliz. Talvez de tão fácil não acreditemos ser possível, o que nos leva a tortuosos caminhos que só fazem nos afastar da felicidade fazendo com que nunca a encontremos.  Se ser normal é não perceber o quanto a vida é simples, Arnaldo abraçou a loucura e fez dela arte. E é nessa loucura que reside a sabedoria de Arnaldo, como fala Tom Zé no início do filme, uma sabedoria que incomoda porque brota das profundezas da alma. Sabedoria que brota da loucura de simplesmente viver.

“Mas louco é quem me diz e não é feliz, eu sou feliz”

eu sou você que se vai no sumidouro do espelho…

Postado em musique non stop com as tags , , , em 09/07/2009 por coelhoraposo

A ausência de posts por aqui se deve a um monte de coisas, mas a principal é falta de inspiração. Como hoje me deu vontade de colocar algo por aqui, pensei em Guinga. Afinal ele é o melhor compositor em atividade no Brasil. E quem diz isso não sou eu, mas sim o Chico Buarque.

Adoro Catavento e Girassol(Guinga/Aldir Blanc) com todas as minhas forças. Está entre os Top 5 da minha vida. Definitivamente. Maravilhoso. Deliciem-se!

ps. pra quem não conhece o Guinga ele não é a Leila Pinheiro (apesar de terem gostos em comum, se é que vocês me entendem), mas sim o violonista que está tocando com ela

“só duas coisas têm valor na vida, comida e bebida”: encontro ao acaso com Wisnik

Postado em Genealogias de minhas paixões com as tags , , , em 30/06/2009 por coelhoraposo

Confesso que não tenho a menor idéia de como eu cheguei até José Miguel Wisnik. Provavelmente tenha comprado seu disco São Paulo Rio(2000) às escuras (mas lembro que comprei nos idos de 2002 na Americanas.com ou submarino, sei lá). Mas é muito legal essas surpresas que a vida nos guarda. Foi amor à primeira audição. A voz suave, as letras bem construídas, os arranjos incríveis, as participações especiais (Arnaldo Antunes, Elza Soares, Jussara Silveira. Isso sem contar com uma cozinha que traz a créme de la créme).  Esse disco me abriu as portas para a sua obra: descobri seu maravilhoso livro O Som e O Sentido(1999 – 2a. edição) ( um livro para músicos e para curiosos que só tocam o bife ao piano), o fenomenal e intimista disco posterior Pérolas aos Poucos(2003), o disco de estréia, José Miguel Wisnik(1992), que não é uma obra-prima como seus irmãos mais velhos mas é muito bacana (e como sempre tem Bocato no trombone, adoro!) e mais recentemente lançou o ainda não lido Veneno Remédi(2008), em que ele fala sobre um tema sempre relegado às páginas de esporte e tratado como assunto menor: o futebol.

Para quem não conhece, ouça aqui uma provinha, na voz de Lady Elza Soares

Comida e Bebida

(Zé Miguel Wisnik/Zé Celso Martinez Correa)

Só duas coisas têm valor na vida:

comida e bebida

comida e bebida

comida é terra

deusa terra

dê-me terra

tua velha conhecida

que você chama

pelo nome que te apraz

pois com comida sólida

ela dá de mamar

ela dá de mamar

ela dá de mamar

aos mortais


agora soma para multiplicar bebida

que o filho de sêmele trouxe divino

do fruto molhado da vinha

embebedando os mortais

e liquidando os seus ais

trazendo o sonho o apagamento

dos endividamentos de cada dia


um deus que aos deuses se dá

um deus que se põe ao dispor

não há melhor drogaria pra dor

a ele que se deve o que se dá e se recebe

o bem que se tem e que se detém

um messias que se bebe

(letra baseada num fragmento de As Bacantes de Eurípedes, traduzido por Zé Celso, Marcelo Drummond, Catherine Hirsche e Denise Assunção)


Pensando bem, acho que o que me levou até Wisnik foram as trilhas sonoras (tem hífen?) dos espetáculos do Grupo Corpo, mais especificamente a de Parabelo(1997) escrita em parceria com Tom Zé. Mas de qualquer maneira, a vida me guardou essa surpresa. Isso é o que importa.

ps. isso era para ser um post sobre os excessos e os bons ares que sopraram nesse fim de semana em minha vida, mas isso fica pra depois.

Loki – Arnaldo Baptista

Postado em homenagens com as tags , , em 17/06/2009 por coelhoraposo

Não vejo a hora de estrear aqui.

Amo, simplesmente.

dia dos namorados

Postado em musique non stop com as tags , , em 12/06/2009 por coelhoraposo

Tem alguns dias que não consigo tirar essa música da minha cabeça, por isso a coloco aqui o link para ouvir Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot  cantando La Javanaise (não, eu ainda não achei um player em flash decente que funcione com o wordpress. Ai que saudades do blog for dummies) como minha singela homenagem aos casais no dia de hoje:

La Javanaise(Serge Gainsbourg)
Brigitte Bardot et Serge Gainsbourg - Bonnie and Clyde(1968)

J’avoue
J’en ai
Bavé
Pas vous
Mon amour
Avant
D’avoir
Eu vent
De vous
Mon amour

Ne vous déplaise
En dansant la Javanaise
Nous nous aimions
Le temps d’une chanson

A votre
Avis
Qu’avons-nous vu
De l’amour
De vous
A moi
Vous m’avez eu
Mon amour

Ne vous déplaise
En dansant la Javanaise
Nous nous aimions
Le temps d’une chanson

Hélas
Avril
En vain
Me voue
A l’amour
J’avais
Envie
De voir
En vous
Cet amour

Ne vous déplaise
En dansant la Javanaise
Nous nous aimions
Le temps d’une chanson

La vie
Ne vaut
D’être
Vécue
Sans amour
Mais c’est
Vous qui
L’avez
Voulu
Mon amour


Ne vous déplaise
En dansant la Javanaise
Nous nous aimions
Le temps d’une chanson

piada pronta do dia

Postado em relaxing times com as tags , em 23/05/2009 por coelhoraposo

 

Papel de Parede Gratuito de Natureza  Tartaruga da Amazônia

hoje, dia 23 de maio é comemorado o dia mundial da tartaruga. Por um desses caprichos do destino, também é neste sábado que o segundo piloto da Brawn GP, Rubens Barrichello, comemora seu aniversário.

Parabéns às tartarugas!

José Rodrigues Trindade – Zé Rodrix (1947 – 2009)

Postado em homenagens com as tags , em 22/05/2009 por coelhoraposo

2zrodrix

Hoje pela manhã fui surpreendido pela morte súbita de Zé Rodrix. Fiquei triste, muito triste mesmo. Ultimamente tenho escutado muito suas canções. Ele é um daqueles artistas que gosto de graça: sem pretensão, sem intelectualismo besta. Multi-instrumentista virtuoso largou o cenário da música popular no fim dos anos 70 para se dedicar a carreira publicitária após se desencantar com a indústria fonográfica. Vai fazer falta.

Vaya con dios, Zé! 

E continue a compor muitos rocks rurais onde estiver agora e sempre!

 

Dentro da baleia mora mestre Jonas,
Desde que completou a maior idade,
A baleia é sua casa, sua cidade,
Dentro dela guarda suas gravatas, seus ternos de linho.

E ele diz que se chama Jonas,
E ele diz que é um santo homem,
E ele diz que mora dentro da baleia por vontade própria,
E ele diz que está comprometido,
E ele diz que assinou papel,
Que vai mantê-lo dentro da baleia,
Até o fim da vida,
Até o fim da vida.

Dentro da baleia a vida é tão mais fácil,
Nada incomoda o silêncio e a paz de Jonas.
Quando o tempo é mal, a tempestade fica de fora,
A baleia é mais segura que um grande navio.

E ele diz que se chama Jonas,
E ele diz que é um santo homem,
E ele diz que mora dentro da baleia por vontade própria,
E ele diz que está comprometido,
E ele diz que assinou papel,
Que vai mantê-lo dentro da baleia,
Até o fim da vida,
Até o fim da vida,
Até subir pro céu.

 

Mestre Jonas (Sá/Rodrix/Guarabyra)
Sá, Rodrix & Guarabyra – Terra(1973)

“Música pra mim é feito o ar que eu sorvo…”*

Postado em Genealogias com as tags , , em 10/05/2009 por coelhoraposo

Desde que me entendo por gente que a música é parte central na minha vida. Tentei, em vão, ser músico, não deu certo. Ainda bem porque seria daqueles músicos perfeccionistas chatos que fazem coisas enfadonhas que se ouve somente com a cabeça. Mas meu ecletismo quase patológico nasceu ainda na época em que arranhava os vinis da minha mãe (até hoje quando vejo algumas das minhas “vítimas” – os discos arranhados com as capas rasgadas – fico muito puto comigo mesmo). Lembro-me bem que devo muito de meu conhecimento musical a Rádio Nacional FM, que minha mãe insistia em manter sintonizada simplesmente o dia todo (ao acordar, a primeira coisa que ela fazia era ligar o rádio). Foi escutando a Nacional que conheci Beatles, por exemplo, quando existia o incrível Beatles Revolution que passava aos sábados no fim da tarde e no domingo ao meio-dia. Lembro como se fosse hoje de ir para o Parkshopping aos sábados e ouvir Beatles Revolution  no carro, o mesmo carro que combalidamente nos serve ainda hoje. 

Enfim, musicalmente devo muito a minha mãe: de Caetano a Sting, de Dire Straits a Beatles, de Tom Zé a Pat Metheny, de Elomar a Cat Stevens e milhões de outras coisas que fui conhecendo ao estar com ela, com seus amigos e com seus discos (que no momento certo foram, com muito orgulho, subtraídos por mim). Sendo hoje música pra mim feito o ar que sorvo, não existem palavras, músicas, flores, poemas que agradeçam essas manhãs ao som da rádio Nacional proporcionadas por você.

Eternamente grato por ser seu filho.

Feliz Dia das Mães, mamãe!

 

* Samba de um breque (Guinga/Aldir Blanc)

 

ps. como ainda não consegui me entender direito com o WordPress, não consegui ainda encontrar uma maneira de colocar players de música incorporados no post, por isso vou tentar disponibilizar uma playlist para download como trilha-sonora.