Arquivo para desabafos

Da série: “cartas não enviadas”

Postado em Genealogias de minhas paixões, vomitando palavras com as tags , , em 16/11/2009 por coelhoraposo

Querida Xxxxxxxx,

Que eu tenho uma mente caótica você já deve ter percebido. Mas pior do que ela é o meu coração: ele está sempre perdido em alto mar, se afogando em sentimentos que não sei se são genuínos. Me sinto só, isolado num mundo onde tudo é jogo, todos os passos tem que ser meticulosamente medidos para não pisarmos em ovos, ou na bola. Eu até tento jogar: me visto de cínico, me inspiro em canções, me espelho em personagens de filmes… Mas chego sempre à conclusão de que sou um péssimo jogador.

Contigo talvez tenha sido um pouco disso: tentei te decifrar, ler nos teus olhos, nos teus gestos, no teu sorriso, nos teus convites… No momento em que tinha certeza de que caminhávamos na mesma estrada, tentei vencer a minha timidez. Não consegui. Ouvir um não seria muito doloroso pra mim porque implicaria em não mais compartilhar da tua companhia, da tua voz, do teu olhar penetrante que tanto evito…

Não lido bem com despedidas – sejam elas temporárias ou permanentes. Este ano em especial tem sido duro neste quesito de partidas: queridos e queridas que partiram: uns para outros cantos do mundo, outros para outros planos da existência…

Alguma canção me disse pra ser sutil, mas eu não sei amar sutilmente. Sou inseguro, indeciso e apegado a romances. Pensei que contigo eu venceria meus medos, viveria o romance que tinha estabelecido na minha cabeça. Mas, penso ter lido os sinais de maneira errada. Novamente. Talvez o que eu precise seja parar de querer ler sinais, ler as pessoas. Quebrar a cara ouvindo um “não estou afim” se faz necessário. Mas dói pra caralho!

Viajo agora pensando novamente em você: no que nós não tivemos, nos seus lábios não beijados, nos sonhos não compartilhados, na vida não vivida. Quando eu voltar, um pouco mais serenado, talvez te ligue de novo, convidando-a novamente ao cinema, chamando-a para umas cervejas, para dançar… Sei lá! O que importa é tentar te mostrar que estou aqui, louco para passar meus dedos entre teus cabelos, segurar sua cintura e tocar seus lábios me deixando perder no seu olhar…

Fazer o quê? “Me deu na telha te dar meu coraçãozinho…”

Senhores passageiros, bem vindos a Brasília!

Postado em relaxing times, vomitando idéias com as tags , , , em 15/09/2009 por coelhoraposo

Após uma breve passagem pelo rio de Janeiro e por são paulo, ca estou novamente em terras candangas. Hoje, enquanto aguardava meu voo em Guarulhos, me bateu uma vontade enorme de mandar tudo a pqp e me mandar daqui de Brasília. Obviamente, que isso é uma idiotice, só um reflexo dos encontros, desencontros e prazeres que essas breves ferias me proporcionaram. Viver no Rio é, por milhões de motivos – dos mais óbvios aos mais íntimos; inviável. Cada viagem ao RJ comprova que lá é um lugar para “passar um dias”, morar jamais.
Já São Paulo… Ah, São Paulo… Eu adoro. Como disse minha prima Kadiana, colega de viagem, “São Paulo quase me faz lembrar Nova Iorque…” Diferentemente dela, nunca morei em NY, mas talvez seja um pouco isso: o cosmopolitismo da terra da garoa não existe em outro lugar do Brasil, quiçá da América Latina, afinal se trata de uma das 5 maiores cidades do mundo.
Mas o que mais me atrai em SP é o caos. Um caos organizado onde serviços básicos como transporte coletivo funcionam relativamente bem, os bares e restaurantes sempre te atendem bem (mesmo quando não te atendem bem), a programação cultural é sempre diversificada e para todos os gostos (e bolsos), você encontra bancas de DVD pirata com filmes cult etc, etc, etc, etc.
O papo tá parecendo de gente deslumbrada. E realmente é. Esse deslumbre que São Paulo me causa toda vez que de lá volto acaba se dissipando com a rotina e com a certeza que se lá morasse, a minha rotina paulistana seria igual a minha rotina candanga. Com mais estresse, poluição e glamour, é bem verdade.
O que interessa mesmo é que viajar é bom pra caceta. Encontrar amigos e família em momentos de completa descontração e sem nada pra fazer de obrigações rotineiras e, principalmente, em ambientes agradabilíssimos como RJ e SP é o que há!

Pronto, agora me sinto revigorado para voltar aos meus afazeres!

agosto/1954 – agosto/2009

Postado em vomitando palavras com as tags , em 24/08/2009 por coelhoraposo

vargas

Exatamente há 55 anos, Getúlio Dornelles Vargas saía da vida para entrar para a História. Com um tiro no peito o presidente da República sucumbiu às pressões intermináveis que emparedavam seu governo e a sua liderança. O começo do fim se deu com a tentativa tresloucada do chefe da guarda pessoal de Getúlio, Gregório Fortunato, de dar cabo do maior desafeto do chefe, o jornalista Carlos Lacerda. Ao menos essa é a versão oficial.

Hoje, o Anjo Negro, como era conhecido, é visto como alguém que, com sua fidelidade canina, assumiu a responsabilidade em nome dos reais mandantes do atentado na rua Toneleros que matou o major da Aeronáutica Rubens Vaz e feriu o líder da União Democrática Nacional, principal partido de oposição a Vargas. Entre os reais mandantes, estavam os “aloprados” da época: o empresário Euvaldo Lodi, o ex-ministro do Trabalho Danton Coelho, o irmão e o filho de Getúlio, Beijo e Lutero Vargas, entre outras figuras proeminentes da república.

No fundo, não importa saber se Getúlio sabia ou não da tentativa de eliminar seu mais acirrado opositor ou então se foi realmente Gregório o mandante. O que importa é perceber que, em uma época onde a palavra empenhada valia mais do que o papel, ideais eram fortes como rochas e palavras como “irreversível” significavam irreversível a única saída honrosa era a renúncia ou, mais tragicamente, o suicídio ritual, o seppuku dos japoneses. Naquele momento não havia outro caminho para um estadista como Getúlio Vargas: suicidava-se tornando-se parte central da história ou se entregava a vala comum das lideranças sem fibra.

Não pretendo aqui defender que Sarneys, Renans, Dirceus (entre tantos outros que se apegam ao poder para dele sugar ao máximo toda energia positiva que de lá possa emanar) cometam atos radicais como o de Vargas – até porque a História não lhes reserva espaço algum; mas uma renúncia, um mea culpa, uma simples revisão em suas consciências poderia ao menos diminuir a sensação correta  de impotência e de impunidade que assola o país. Enquanto uma reforma política séria não seja colocada em pauta, o presidente de plantão vai sempre ter que governar refém desse sistema caquético que mantém múmias no poder. Até porque quando surgem lideranças que poderiam tomar para si essa responsabilidade de capitanear todo esse processo, elas se omitem, se escondem atrás do desconhecimento do que ocorria na sala ao lado ou então atrás de níveis recordes de aprovação que escondem práticas rasteiras como a institucionalização da compra de votos travestida de “transferência de renda”.

Enfim, entre um caudilho “pai dos pobres” ou um sindicalista “pai dos coronéis”, não opto por nenhum. Mas é inegável que o mérito do primeiro, o de assumir a responsabilidade por seus atos ou pelos de seus subordinados até as últimas consequências, está longe de estar presente no segundo. Nesse aspecto o suicídio de Vargas ainda tem muito a ensinar a toda a sociedade brasileira. Ser popular é uma coisa, ser líder… Bem ser líder é outra história.

Nothing

Postado em musique non stop com as tags , em 31/07/2009 por coelhoraposo

Nothing
To see
Nothing
To do
Nothing
Today
About me
I am not
Happy now
I am
Not sad
I am
Just
Nothing
Now
Looking
To the
empty space…

ouça aqui
Nothing (Walter Franco)
Walter Franco – Revolver(1975)

Tem que acontecer (Sérgio Sampaio)

Postado em musique non stop com as tags , , em 02/07/2009 por coelhoraposo


Não fui eu nem Deus não foi você nem foi ninguém
Tudo o que se ganha nessa vida é pra perder
Tem que acontecer
Tem que ser assim
Nada permanece inalterado até o fim
Se ninguém tem culpa não se tem condenação
Se o que ficou do grande amor é solidão
Se um vai perder outro vai ganhar
É assim que eu vejo a vida e ninguém vai mudar

Eu daria tudo
Pra não ver você cansada
Pra não ver você calada
Pra não ver você chateada
Cara de desesperada
Mas não posso fazer nada
Não sou Deus nem sou Senhor

Eu daria tudo
Pra não ver você chumbada
Pra não ver você baleada
Pra não ver você arreada
A mulher abandonada
Mas não posso fazer nada
Eu sou um compositor popular

Ouça aqui a versão de Zeca Baleiro

Quem puxa aos seus não regenera – parte II

Postado em vomitando palavras com as tags em 02/07/2009 por coelhoraposo

Ao som de Nick Cave


Certas coisas são altamente cíclicas em minha vida. Relações que vão e vêm, pioram e melhoram. Certas conclusões ficam mais cristalinas com o tempo. Mas meu estoque de paciência para algumas dessas relações parece que não tem renovação. Está no fim. Cansei desse puxa-e-encolhe, desse morde-e-assopra que se tornou parte da minha vida.

Obviamente que isso não é nenhuma novidade (vide a parte I, no finado blog). O problema é que não sofro mais com isso como antes sofria: simplesmente não tenho mais paciência. Cansei de ser tábua de salvação para alguns. Cansei de procurar tábuas de salvação para mim. Gente carente é um saco, principalmente quando são as únicas responsáveis por suas escolhas, que não cabem a mim julgar. Mas também não cabem a elas imporem essas decisões sobre mim. Cada um escolhe seu caminho à sua maneira e assumindo o que fazem. Jogar nos outros a responsabilidade pelos nossos fracassos pessoais é de uma vileza, de uma covardia que me revolta. Porra! Tem gente que definitivamente não se manca mesmo!

Se sou, como disse no post de mais de um ano atrás, “um arremedo de fracassos que precedem a minha existência. Pai, mãe, família, amores, amigos, sonhos não concretizados…”, tenho mais é que me levantar e fazer as coisas acontecerem pra mim. E assumir as consequências por essas escolhas, se for quebrar a cara, que eu quebre. E não me venham mais encher o saco querendo dar pitaco na minha vida, principalmente quando estão longe de ser modelo de qualquer coisa.

Mesmo que quem puxe aos seus não regenere, como afirmei lá atrás, isso não impede que não se procure caminhos alternativos aos de viver sentindo pena de si mesmo. E isso não quero mais pra minha vida. Nunca mais.

gritando!!!

Postado em Uncategorized com as tags em 18/06/2009 por coelhoraposo

Eu quero gritar!!!!!!!!!!!!!! Ô diazinho esse de hoje.

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AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAhhhhhhhhhhhhhh!

“agora deito, olho pro teto, penso na paz”

Postado em musique non stop com as tags , , , em 17/06/2009 por coelhoraposo

A obra de João Donato, desde o começo de sua carreira no início dos anos 60, pode ser chamada de variações sobre o mesmo tema: melodias simples, piano gingado e o jeito desligado dele de ser (que os anos de muuuuuito roquenrou somente potencializaram). E ele é genial por isso mesmo: sem frescura fazendo música para se sentir e ponto final.

Deixei de recado (que você pode ouvir aqui) é a canção que encerra um dos melhores discos já produzidos no Brasil, a obra-prima de João Donato Lugar Comum (1975) – que prometo disponibilizar em breve. Com letra de Gilberto Gil que casa perfeitamente com a música, a canção é uma delícia.

Com ele completa-se a santíssima trindade dos Joãos da música brasileira: João Gilberto, Johnny Alf e João Donato

falei do tempo
falei do fogo
falei da dor
agora calo
calço o chinelo
reparo a flor

batuqueiro, ê
bate o couro, ê
bate, bate com paixão
com paixão por sim
com paixão por não
bate, bate, coração

andei correndo
andei sofrendo
andei demais
agora deito
olho pro teto
penso na paz

batuqueiro, ê
bate o couro,ê
bate, bate com paixão
com paixão por sim
com paixão por não
bate, bate, coração

passei da conta
passei da porta
passei por lá
deixei recado
voltei cansado
vou descansar

Deixei Recado (João Donato/Gilberto Gil)

João Donato – Lugar Comum (1975)

lirismo barato #01

Postado em vomitando palavras com as tags , , , em 10/06/2009 por coelhoraposo

por mais que tente esquecer
vem novamente meu inconsciente
me fazendo sonhar com você

AF 447

Postado em vomitando idéias com as tags em 03/06/2009 por coelhoraposo

Quando acordei na segunda-feira e liguei a BandNews Fm (sim, a primeira coisa que faço ao acordar é transitar entre CBN e BandNews enquanto me preparo para sair) e qual foi meu choque ao ouvir Ricardo Boechat falar em tragédia aérea entre outras coisas. Confesso que fiquei todo o dia meio sem reação, impressionado com o mistério que cercava o desaparecimento do voo da Air France. Mas o que mais me deixou estupefato foi a inoperância administrativa do Governo Federal e, principalmente, a apatia apresentada pelo Chefe do Executivo Federal: enquanto Sarkozy, se manifestava oficialmente de tempos em tempos e articulava com seu gabinete como proceder diante de uma tragédia como essa, o presidente Lula tinha seu dia de George W. Bush simplesmente agindo pelo silêncio. O mínimo de se esperar de Lula era celeridade e uma palavra amiga aos familiares.

Não foi o que houve. Nélson Jobim cancelou o resto de sua viagem oficial a Namíbia e logo voltou ao Brasil para liderar o Ministério da Defesa. Lula não precisava fazer o mesmo, afinal em pouco ajudaria nas buscas ou na investigação. Mas seu silêncio por mais de 8 horas entre a manhã e a tarde de segunda-feira só não foi pior que seu comentário mais do que infeliz de que “um país que acha petróleo a 6 mil metros pode achar avião a 2 mil”. Lula não é burro, nem despreparado. É um estadista com há muito não se via no Brasil. Mas precisa aprender a medir as palavras. Se fosse familiar de alguma vítima, me sentiria ultrajado em ver meu ente querido comparado com petróleo do pré-sal. Esse tipo de ufanismo idiota, nunca levou ninguém a lugar algum. Estou simplesmente estupefato com o lado George W. de ser que Lula às vezes insiste em trazer à tona.

ps. ao menos a comparação não foi com futebol.