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agosto/1954 – agosto/2009

Postado em vomitando palavras com as tags , em 24/08/2009 por coelhoraposo

vargas

Exatamente há 55 anos, Getúlio Dornelles Vargas saía da vida para entrar para a História. Com um tiro no peito o presidente da República sucumbiu às pressões intermináveis que emparedavam seu governo e a sua liderança. O começo do fim se deu com a tentativa tresloucada do chefe da guarda pessoal de Getúlio, Gregório Fortunato, de dar cabo do maior desafeto do chefe, o jornalista Carlos Lacerda. Ao menos essa é a versão oficial.

Hoje, o Anjo Negro, como era conhecido, é visto como alguém que, com sua fidelidade canina, assumiu a responsabilidade em nome dos reais mandantes do atentado na rua Toneleros que matou o major da Aeronáutica Rubens Vaz e feriu o líder da União Democrática Nacional, principal partido de oposição a Vargas. Entre os reais mandantes, estavam os “aloprados” da época: o empresário Euvaldo Lodi, o ex-ministro do Trabalho Danton Coelho, o irmão e o filho de Getúlio, Beijo e Lutero Vargas, entre outras figuras proeminentes da república.

No fundo, não importa saber se Getúlio sabia ou não da tentativa de eliminar seu mais acirrado opositor ou então se foi realmente Gregório o mandante. O que importa é perceber que, em uma época onde a palavra empenhada valia mais do que o papel, ideais eram fortes como rochas e palavras como “irreversível” significavam irreversível a única saída honrosa era a renúncia ou, mais tragicamente, o suicídio ritual, o seppuku dos japoneses. Naquele momento não havia outro caminho para um estadista como Getúlio Vargas: suicidava-se tornando-se parte central da história ou se entregava a vala comum das lideranças sem fibra.

Não pretendo aqui defender que Sarneys, Renans, Dirceus (entre tantos outros que se apegam ao poder para dele sugar ao máximo toda energia positiva que de lá possa emanar) cometam atos radicais como o de Vargas – até porque a História não lhes reserva espaço algum; mas uma renúncia, um mea culpa, uma simples revisão em suas consciências poderia ao menos diminuir a sensação correta  de impotência e de impunidade que assola o país. Enquanto uma reforma política séria não seja colocada em pauta, o presidente de plantão vai sempre ter que governar refém desse sistema caquético que mantém múmias no poder. Até porque quando surgem lideranças que poderiam tomar para si essa responsabilidade de capitanear todo esse processo, elas se omitem, se escondem atrás do desconhecimento do que ocorria na sala ao lado ou então atrás de níveis recordes de aprovação que escondem práticas rasteiras como a institucionalização da compra de votos travestida de “transferência de renda”.

Enfim, entre um caudilho “pai dos pobres” ou um sindicalista “pai dos coronéis”, não opto por nenhum. Mas é inegável que o mérito do primeiro, o de assumir a responsabilidade por seus atos ou pelos de seus subordinados até as últimas consequências, está longe de estar presente no segundo. Nesse aspecto o suicídio de Vargas ainda tem muito a ensinar a toda a sociedade brasileira. Ser popular é uma coisa, ser líder… Bem ser líder é outra história.

histoire de Melody Nelson – Serge Gainsbourg (1971)

Postado em musique non stop com as tags , em 14/06/2009 por coelhoraposo

clique na imagem do álbum para baixá-lo

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Estou chocado com o quanto esse disco é maravilhoso. Tenho pena de mim por conhecê-lo só agora e de todos que amantes de música que não o conhecem. Eu prometo depois fazer uma resenha do disco, mas precisava compartilhar esse sentimento de estupefação que me tomou ao escutá-lo. Só me senti assim ao ouvir pela primeira vez Bitches Brew do Miles Davis, Ou Não do Walter Franco, Tommy do The Who, Urubu do Tom Jobim, Clara Crocodilo do Arrigo Barnabé e Lugar Comum do João Donato.

PQP! Que disco foda!