elis & nara. nara & elis.

Postado em homenagens, musique non stop com as tags , , , , , , , em 19/01/2012 por coelhoraposo

No dia 19 de janeiro de 1982, Nara Leão completou 40 anos de idade.

No dia 19 de janeiro de 1982, Elis Regina morria aos 36 anos de idade.

Hoje, 30 anos depois da morte de Elis, Nara completaria 70 anos, caso o câncer não a tivesse levado.

Elas formam as duas faces da revolução que a década de 60 representou na música brasileira. Foram rivais históricas, a imprensa da época registrou as inúmeras alfinetadas que Elis dava em Nara, acusando-a de “trair todos os movimentos” aos quais ela se associava. Nara nunca foi uma grande cantora, ao contrário do vulcão em permanente erupção que era Elis. Mas Nara era inteligente e tinha o feeling musical que Elis construiu ao longo de sua carreira. Nara abraçou a bossa nova, o morro, a jovem guarda, o tropicalismo. Elis não gostava muito do novo. Nara era elétrica. Elis, acústica. Até no amor, elas foram de certa maneira rivais: Ronaldo Bôscoli foi o grande amor da juventude de ambas. Nara, irrequieta, calculava seus passos musicais. Elis, dona de uma potência vocal única, fazia os compositores irem atrás dela. A grande guinada de Elis se deu quando já era uma cantora estabelecida (graças ao marido e maestro, César Camargo Mariano). A guinada de Nara se deu antes mesmo do primeiro álbum dando voz ao morro e abandonando o “amor, o sorriso e a flor” da Bossa Nova.

Morreram jovens. Fizeram muito.

Que tenham feito as pazes, porque elas foram o yin e yang da música brasileira.

as novas “mothers of prevention”

Postado em homenagens, realpolitik, vomitando palavras com as tags , , , , , , , , em 18/01/2012 por coelhoraposo


Um dos grandes avanços oriundos do advento da internet é o acesso a informação. E o fato de mais uma vez o Congresso norte-americano ter a ousadia de achar que pode e deve controlá-la beira ao risível (o que é repetido em muitos lugares como no Brasil, vide o projeto de Eduardo Azeredo). No entanto, agora eles encontraram uma brecha e levantaram a bandeira da pirataria, da ilegalidade da troca livre de informação. O SOPA, sigla de Stop Online Piracy Act, que está para ser votado nos EUA é um retrocesso sem tamanho. Não conheço muito bem do assunto, mas o simples fato de quererem penalizar criminalmente qualquer site que faça referência a conteúdos protegidos pela ultrapassada noção do copyright, me soa um absurdo sem limites…

Assim como foi um absurdo sem limites as mobilização na década de 80 contra as letras da música pop. O PMRC (ou Parents Music Resource Center), capitaneado pela esposa do então senador Al Gore, Tipper Gore, conseguiu fazer aprovar a lei que obrigou a todas as gravadoras a exibirem o infame selo abaixo:

O argumento das senhoras pudicas norte-americanas era que as letras de músicas do rock estavam incitando a violência e chegando a causar o aumento das taxas de estupro (!!!) em todo o país. O artista que tomou a frente contra a lei que objetivava indicar o que poderia e o que não poderia ser ouvido pelos jovens estadunidenses altamente impressionáveis pelo nefasto rock’n'roll foi o inigualável (musical e politcamente) Frank Vincent Zappa, que exigiu testemunhar no Senado norte-americano para fazer com que todos ouvissem o absurdo que estava sendo engendrado. Foi ouvido, de pouco adiantou. Mas fez sua parte. E um disco, “Frank Zappa Meets The Mothers of Prevention” (1985), que inclusive contém trechos de seu depoimento ao Comitê de Comércio do Senado dos EUA.

Ai, a falta que um Frank Zappa faz…

Leia aqui a transcrição da audiência

PS. Vale o registro de que “Jazz From Hell” (1986), mesmo sendo um álbum intrumental – repito INSTRUMENTAL; recebeu o “Tipper Sticker” (uma referência a espose de Al Gore) de Explicit Lyrics.

PS2. A capa de “Frank Zappa Meets The Mothers Of Prevention” traz um selo de advertência/garantia genial:

WARNING/GUARANTEE: This album contains material which a truly free society would neither fear nor suppress.
In some socially retarded areas, religious fanatics and ultra-conservative political organizations violate your First Ammendment Rights by attempting to censor rock & roll albums. We feel that this is un-Constitutional and un-American.
As an alternative to these government-supported programs (designed to keep you docile and ignorant). Barking Pumpkin is pleased to provide stimulating digital audio entertainment for those of you who have outgrown the ordinary.
The language and concepts contained herein are GUARANTEED NOT TO CAUSE ETERNAL TORMENT IN THE PLACE WHERE THE GUY WITH THE HORNS AND POINTED STICK CONDUCTS HIS BUSINESS.
This guarantee is as real as the threats of ther video fundamentalists who use attacks on rock music in their attempt to transform America into a nation of check-mailing nincompoops (in the name of Jesus Christ). If there is a hell, its fires wait for them, not us.

para não dizer que não falei das flores

Postado em apud, vomitando idéias com as tags , , , , , em 16/01/2012 por coelhoraposo

Em tempos de BBB e suspeitas de estupro (eufemisticamente, “sexo sem consentimento”), o texto publicado na Revista Piauí em dezembro de 2009, intitulado “O Sono de Polanski”, da escritora e ensaísta britânica Jenny Diski (publicado originalmente na prestigiosa London Review of Books, em novembro do mesmo ano – aqui a versão original, intitulada Rape-Rape), trata do imbróglio envolvendo o rumoroso caso de estupro de menor, no qual o cineasta polonês Roman Polanski foi condenado nas cortes norte-americanas e que causou sua auto-deportação para a Europa. Quando tal texto foi escrito, Polanski acabara de ser preso no Suiça e sofria a ameaça de ser enviado aos EUA para cumprir sua pena (ao que parece, estupro é um crime que não prescreve por lá).

Ao lê-lo (e cabem aqui os agradecimentos a amiga Juliana pelo compartilhamento via facebook), logo pensei (e comentei) o quão dolorasamente fantástico era o texto. Primeiro por deixar claro que o tema é simples: forçar alguém a fazer sexo, mesmo que no fim das contas a pessoa diga sim – por cansaço ou por uso de drogas, se chama  ESTUPRO. Simples assim e em letras garrafais para não pairar dúvidas. Em segundo lugar, porque a autora exemplifica com a própria carne, relatando o estupro sofrido quando tinha 14 anos.

No caso do Polanski em si, eu realmente nunca tive uma opinião formada sobre, provavelmente por nunca ter sabido dos detalhes. Pra mim era só o caso de “uma garota que estava numa farra na casa de estrelas de hollywood e que no fim deu merda”. Obviamente não foi nada disso. Apesar de adorar os filmes dele, costumo sempre ter um pé atrás com quem vive a vida usando seus traumas para a todo o tempo dizer: “foi mal, sou uma vítima da sociedade!” É realmente triste sua história – família chacinada na segunda guerra em campos de concentração, a esposa e o filho prestes a nascer imolados pelo bando de homicidas comandados pelo lunático Charles Manson; e ela talvez seja uma das principais razões para seu cinema ser tão interessante. Mas seu histórico ser usado como justificativa para amenizar o estupro de uma garota de 13 anos (e ela poderia ter qualquer idade que, ainda assim, seria algo desprezível e deplorável).

O que me deixa triste é ver o nome de alguns dos que subscreveram a tal petição de soltura (as Isabelles Adjani e Huppert  por exemplo).

O que me deixa pasmo é a defesa de Polanski nos tribunais tê-lo defendido usando o argumento do quão incrível era a Los Angeles dos anos 70, com tanta liberdade sexual e tantas mentes criativas (seria reflexo da quantidade descomunal de cocaína que era consumida como água por tais mentes?)

O que me deixa com a pulga atrás da orelha é que o anfitrião dessas “festinhas” corriqueiras ao longo das últimas 4 décadas, Mr. Jack Nicholson, nunca é mencionado. Pacto de silêncio talvez?

Quanto ao rumoroso caso da suspeição de estupro no programa mais ignóbil – e aparentemente mais lucrativo – da televisão brasileira, vão colocar panos quentes, se é que já não colocaram. Mas o simples fato de estar sendo falado, já é um ponto positivo em si, afinal tenho certeza que muitas pessoas já se viram em situações similares a essa e talvez agora percebam que aquela ausência de memória sobre alguma noite qualquer, tenha obscurecido algo torpe e imperdoável.

the best funeral ever

Postado em Genealogias de minhas paixões, homenagens, musique non stop com as tags , , , , , em 12/01/2012 por coelhoraposo

Sem sombra de dúvida, uma das maiores bandas do chamado “rock/pop” surgidas nos últimos 20 anos se chama LCD Soundsystem. Liderada pelo bonachão James Murphy, LCD a banda encerrou suas atividades em 2011 após 3 álbuns impecáveis (ok, This Is Happening não é tão dançante e nem possui o frescor dos anteriores, mas ainda sim um álbum beeem acima da média) e uma série de hits dançantes e “cabeças”. O fim da banda, que chegou a ser comparada ao Talking Heads de David Byrne, foi justificado por seu líder por não haver muito mais espaço para se reinventar dentro do formato a que eles se propuseram no início dos anos 2000, ao lançar o hit provavelmente mais inusitado da história da música pop, Losing My Edge, cuja versão mais curta dura algo como 8 minutos e é basicamente um monólogo de Murphy apresentando a história da música pop nos últimos 40 anos.

Tem um verso da música My My, Hey Hey (Out of The Blue), do mestre Neil Young que diz: It’s better to burn out / Than to fade away. Numa tradução tosca seria algo como “é melhor apagar de uma vez do que desaparecer aos poucos”. Provavelmente James Murphy não tinha esse verso de Young na cabeça quando decidiu pelo fim da banda, mas que foi uma decisão acertadíssima, foi. Melhor sair no auge do que se entregar ao mecanicismo da indústria do entretenimento.

*  *  *

Fui a um show do LCD Soundsystem e perdi dois.

Em 2007, eu não tinha um pau para dar no gato e não fui na vergonhosa apresentação da banda no Marina Hall para algo como 50 pessoas (vergonhosa para este público ridículo de Brasília repleto do “mané brasiliense, essa versão malfeita do coxinha paulistano”, como bem definiu bem minha amiga Andréa)

Em 2010, em Toronto, tive o prazer de vê-los ao vivo. Mas por mais que o show tenha sido ótimo, tinha acabado de receber a notícia de que minha avó tinha falecido em Manaus… Foi um baque receber essa informação sozinho, minha amiga pra todas as horas Erica estava trabalhando e fui para o show sozinho tentando digerir aquela porrada ao som do som alegre de uma das bandas mais enérgicas que já vi. No fim, foi bom para desopilar.

Ano passado, me programei para a última passagem deles pelo Brasil mas razões que o coração desconhece, não fui.

Cerca de dois meses depois, mais precisamente no dia 02/04, James Murphy e banda subiram ao palco pela última vez envergando o nome da LCD Soundsystem. Foi num Madison Square Garden apinhado de gente de todo o mundo e com direito a transmissão ao vivo pela internet. Hoje soube que as últimas 48 horas de Murphy como líder da banda foram registradas e foram condensadas no documentário “Shut Up And Play The Hits” que será lançado nos EUA na próxima semana. Vi o trailer hoje e confesso que tive uma vontadezinha de chorar no fim, pela banda e por todo o turbilhão de sentimentos meus que ela acompanhou.

Como diz no trailer: If it’s a funeral… Let’s have the best funeral ever!

Shut Up And Play The Hits tem tudo para marcar época, como aconteceu com Stop Making Sense, filme dirigido por Jonathan Demme, sobre quem? Justamente o Talking Heads.

E as voltas que o mundo dá…

o príncipe das astúrias

Postado em canções fundamentais, Genealogias de minhas paixões, homenagens, musique non stop, realpolitik com as tags , , , em 09/01/2012 por coelhoraposo

Para mim, o maior artista vivo de todo o espaço sideral se chama Leonard Cohen. É um artista completo. Poeta, romancista, cantor, compositor e um perfomer. E que performer!

Um exemplo? Imaginemos a seguinte cena:

São 4 horas da manhã. Algo como 600 mil pessoas encontram-se entre o sono provocado pelo cansaço de 5 dias de um megafestival caótico e pelo frenesi após a conturbada apresentação de Jimi Hendrix e sua Experience (e que seria a última grande aparição de Hendrix, que morreria 3 semanas depois), com direito a palco sendo incendiado. Coube a Joan Baez tentar juntar os cacos e continuar as apresentações.

São 4 horas da manhã. A produção do festival vai até o trailer da próxima atração para acordar um já senhor de 35 anos, com 3 aclamados livros de poesia, 2 romances (magníficos, por sinal) e 2 álbuns (fundamentais para qualquer amante da música), para se dirigir ao palco do Festival da Ilha de Wight.

São 4 horas da manhã. As 600 mil pessoas entre o sono e o frenesi de um festival marcado pela desorganização e pela violência iminente observam a entrada no palco de um Leonard Cohen transmitindo… paz. Não uma paz política, mas uma paz espiritual que logo se espalha por todos. Ao pedir qque todos acendam seus fósforos, isqueiros e afins para olhar a pessoa ao lado, o que Cohen está dizendo é: “ele/ela é igual a você, não é melhor nem pior, simplesmente igual.” E arremata com sua maturidade poética e política lembrando o público flower power, que eles ainda precisavam de muito feijão com arroz antes de pensar em mudar o mundo: “vocês são uma grande nação, mas ainda são fracos. Ainda muito fracos. Precisam se fortalecer muito mais para poder exigir o direito à terra…”

E segue com sua magistral “Bird On The Wire”:

Like a bird on the wire,
like a drunk in a midnight choir
I have tried in my way to be free.
Like a worm on a hook,
like a knight from some old fashioned book
I have saved all my ribbons for thee.
If I, if I have been unkind,
I hope that you can just let it go by.
If I, if I have been untrue
I hope you know it was never to you. 

Like a baby, stillborn,
like a beast with his horn
I have torn everyone who reached out for me.
But I swear by this song
and by all that I have done wrong
I will make it all up to thee.
I saw a beggar leaning on his wooden crutch,
he said to me, “You must not ask for so much.”
And a pretty woman leaning in her darkened door,
she cried to me, “Hey, why not ask for more?”

Oh like a bird on the wire,
like a drunk in a midnight choirhave tried in my way to be free.

*  *  *

Assim nada melhor para iniciar o ano de 2012 neste blog do que homenagear àquele que foi e continua sendo a trilha-sonora dos momentos mais importantes de minha vida. Evoé, Mr. Cohen!

Segue abaixo o discurso de recebimento do Prêmio Príncipe das Astúrias de 2011:

E aqui a transcrição do discurso, em espanhol e em inglês

PS. a apresentação  de Leonard Cohen na Ilha de Wight está disponível em CD/DVD/bluray etc… Faça um favor a você mesmo e corra atrás!

sinal dos tempos

Postado em musique non stop, vomitando palavras com as tags , , , , , em 29/12/2011 por coelhoraposo

Segundo a intelligentsia hipster e metida a cool e tradutora das tendências musicais (os ditos críticos de uma enormidade de revistas mundão afora), 2011 foi o ano de… Skrillex? Quem é Skrillex? Não tenho a menor ideia. Melhor deixar assim.

Assim como é melhor eu continuar ignorando uma série de nomes que o hype insiste em cultuar: Foster The People pode até ser bom, mas tenho preguiça até de procurar no youtube. Adele pra mim ainda é o nome da filha do Victor Hugo que enlouqueceu e foi tema do belíssimo filme do Truffaut (estrelado pela encarnação da beleza atormentada, Isabelle Adjani). Ao ler o nome de Lana Del Rey, só me vem à mente a atriz Lana Turner.

Quanto à Banda Mais Insuportável da Cidade, melhor não dizer nada. Quanto ao Michel Teló, o cara é o líder de downloads PAGOS nas lojas do iTunes de Espanha e Itália.

Mas o que une Skrillex, Foster The People, Adele, Lana Del Rey, a Banda Mais Zzzzzzz… e Michel Teló a este post é o fato de que nunca os escutei e minha vida. E meio que tenho orgulho disso.

Teló é o cara mais baixado na Espanha e Itália. Analisemos a atual conjuntura desses países e veremos que nada é por acaso.

(Em Portugal ele está em segundo, na Holanda em terceiro. Na Suiça, em quarto. Até na Alemanha ele aparece no ranking, pelo menos é em décimo: te cuida Angela Merkel, que a crise tá batendo à sua porta!)

clique para ampliar

500 dias antes

Postado em Genealogias de minhas paixões, homenagens com as tags , , , , , , , , , , , em 13/12/2011 por coelhoraposo

Eu nasci no dia 29 de abril de 1983.

Exatamente 500 dias antes, o Clube de Regatas do Flamengo conquistava o título de campeão mundial interclubes após não tomar conhecimento do todo-poderoso Liverpool. Dois gols de Nunes, um de Adílio, Flamengo 3 a 0 e a Taça Toyota ganhou novos donos e novo endereço, a Gávea.

Realmente nem sei se meus pais já se conheciam no dia 13 de dezembro de 1981. Mas o que importa é que 500 dias depois desse jogo eu vinha ao mundo para ser mais um rubro-negro orgulhoso, apaixonado e que teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo.

atualizando a discoteca

Postado em estante, Genealogias de minhas paixões, musique non stop com as tags , , , , , , , , , em 05/12/2011 por coelhoraposo

Sim, eu sou daqueles que ainda compram discos, não somente vinis mas cd’s também. Ir a uma loja para comprar discos é algo cada vez mais raro num mundo internético onde tudo está disponível para baixar, ouvir etc e tal. Podem tirar qualquer tipo de conclusão disso, mas gosto da posse e, em muitos casos, compro como uma forma de estimular e apoiar meus artistas preferidos que, em sua maioria, são independentes e têm na mídia física uma maneira de divulgação e, obviamente, de renda.

Outra paixão que tenho é a pechincha. Durante anos fui um rato de sebo e um garimpador quase profissional nas cestas de promoção de cd’s dos carrefour e das lojas americanas da vida. Foi assim, por exemplo, que comprei toda a discografia (até àquela época) de Nick Cave And The Bad Seeds a R$ 4,90 cada exemplar no Carrefour. Ou então, o fantástico Itamar Assumpção Canta Ataulfo Alves, creio que na mesma compra do Nick Cave (e pelo mesmo preço) – responsável por me apresentar o gênio no Nego Dito. Já gastei uma pequena fortuna em vinis na Musical Center, Sebo do Messias, Pindorama  e, claro, na meca da discofilia nacional: a Baratos Afins.

Nos últimos anos tal prazer se arrefeceu devido a uma série de fatores, mas o primordial foi o de não ter onde guardá-los e me dói o coração toda vez que lembro que boa parte dos meus discos estão mal acondicionados em um depósito em Manaus enquanto não consigo resgatá-los e trazê-los para Brasília… Porém contudo todavia, nos último ano fiz quatro compras de atacado que merecem destaque: uns 40 (com coisa muito boa e algumas nem tanto) de uma loja que havia fechado as portas, a coleção magnífica do SESC de música brasileira , meus preciosos vinis e a coleção de jazz adquiridos recentemente no Canadá e os 18 títulos que comprei do gente fina André Panizza, amigo do amigo Palandi, que compartilha comigo dessa paixão pela compra de música em mídia física.

Nada como um monte de música boa para acompanhar uma fase de mudanças…

*  *  *

os mimos:

NOTA: Segundo Panizza, o créme de la créme desses discos atende pelo nome de “Teenager Of The Year”, do vocalista do Pixies. Se é o melhor eu não sei, mas ao escutá-lo no carro enquanto enfrentava o trânsito da EPTG, tive a certeza de que fiz uma ótima aquisição.

realpolitik

Postado em Divã, realpolitik com as tags , , , , em 30/11/2011 por coelhoraposo

Quando recebi o e-mail da minha amiga Elisa que continha a carta de desfiliação de André Passos (ex-funcionário da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do DF, sob administração do seu partido, o Partido Verde), senti um misto de “eu já sabia” com frustração. O “eu já sabia” se refere, obviamente, ao fato de que nunca acreditei que o atual governo do Distrito Federal, capitaneado por Agnelo Queiroz e Tadeu Filipelli, seria diferente dos governos anteriores – principalmente no que se refere a desorganização, malfeitos (sim, corrupção agora foi batizada de “malfeitos” pela presidenta Dilma) e a obsessão partidária pelo aparelhamento total de todas as instâncias governamentais.

Mas também me senti frustrado, principalmente porque em algum nível compartilho dessa frustração. Não há nada mais frustrante do que se entregar de corpo e alma a algum projeto e, logo depois, ver que no fundo você é um otário. Pelo menos é assim que muitos nos verão. O discurso do “sistema” é sempre o mesmo: “você tirou a sorte grande. Nosso candidato se elegeu e teremos 4 anos de moleza pela frente!” Infelizmente, é exatamente isto o que ocorre. Obviamente que existem pessoas que conseguem “fazer as coisas acontecerem” mesmo enfrentando as dificuldades partidárias, da máquina estatal etc etc. Mas a questão é que para que isso ocorra, elas acabam tendo que fazer concessões, se comprometendo em algum nível. O Brasil realmente não é para amadores. E política, definitivamente, é para profissionais…

Ainda bem que existem pessoas que não conseguem fazer tais concessões. Por isso que aplaudo a atitude de André Passos (vulgo Esqueleto).

Segue a carta:

Carta de Desfiliação do Partido Verde

Prezados leitores e eleitores,
É com certo pesar e ao mesmo tempo sentimento de dever cumprido, que venho comunicar minha desfiliação do Partido Verde, como também minha saída do Governo do Distrito Federal.
Infelizmente, não encontrei apoio no partido para desenvolver tudo que foi planejado durante o período de campanha eleitoral.
Sou nascido e criado em Brasília e para mim é impossível desvincular-me do propósito de trabalhar pela melhoria de nossa cidade.
Quando Agnelo Queiroz assumiu o Governo do Distrito Federal, o PV, assumiu a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e muitos de seus filiados, como eu, recebemos a oportunidade e a digna e honrosa missão de trabalhar junto ao Governo.
Ocorre que, passado quase um ano, muitos de nós, embora recebendo salário, não vinhamos recebendo trabalho. Exige-se o cumprimento do horário, mas falta organização, planejamento e estratégia para aproveitar a força de trabalho disponível dentro do Partido.
Ganhar o dinheiro do contribuinte para não fazer nada, quando há tanto a se fazer, para mim é inconcebível.
Desfilio-me do partido, abro mão do meu cargo para continuar buscando uma forma digna e honesta de trabalhar por Brasília.
Todos os desejos e esperanças construídos durante a última campanha eleitoral foram frustrados.
Aquela união passada pelo Partido Verde naquela época evaporou e só sobrou a constatação de que, de fato, existe uma cúpula que não quer deixar o poder e nem seus cargos.
Entra governo, sai governo e a cúpula continua lá. Distribuem-se cargos e salários, mas não se oferece o principal: oportunidade de efetivamente trabalharmos pelo Distrito Federal.
Para mim isso não é honesto. Por isso, após buscar, de todas as formas, mas sem êxito, um lugar onde me fosse dado trabalhar pelo Distrito Federal, cheguei a conclusão de que não dá mais.
Eu mantenho meu compromisso com todos aqueles que depositaram sua confiança em mim e me deram seu voto.
Eu quero trabalhar por Brasília e não vou ficar acomodado.
Apresentei projetos e idéias para serem desenvolvidas junto à sociedade, mas não obtive retorno.
Realmente, como ficou constatado por Marina Silva e os que há um tempo atrás deixaram o PV “A direção do partido, em sua maioria, disse não à democratização de suas estruturas institucionais, ao diálogo com a sociedade e a um projeto autônomo de construção partidária.”
Concordo que as propostas de campanha não poderiam ter ficado enclausuradas em estruturas arcaicas de poder.
Assim, junto-me à Marina Silva e comunico à direção nacional do PV minha desfiliação em busca uma Brasilia justa e sustentável.
Não escrevo com alegria, pois vejo que as bandeiras pelas quais lutei e me fizeram entrar no PV não são mais respeitadas pelo próprio Partido.
Além disso, o discurso de renovação e de atuação eficaz, deu lugar à prática política que sempre abominei: segregadora e personalista.
Não posso compactuar com um Partido que emprega seus filiados e não lhes dá trabalho nem oportunidade de desenvolverem suas idéias.
Aqueles que desejaram minha derrocada podem se regozijar, mas saio do PV sem ser dominado.
Saio para um chamado maior, para honrar meus princípios, meus amigos e todos que me apoiaram, me apoiam e que dividiram comigo o sonho de 2010, confiando seu voto em mim e nas idéias que represento.
Não chegaria a este ponto extremo de abrir mão de meu cargo e desfiliar-me se eu não considerasse a situação insustentável.
Sei que a vida segue por caminhos planejados, que embora pareçam trilhas desconhecidas e misteriosas, sempre levam a um porto seguro.
E, como diria Steve Jobs, lá na frente verei onde os pontos irão se encontrar.
Mas como somos nós os responsáveis por nossas escolhas e são elas que definem quem somos e em quem nos tornamos, sei que nesse momento essa é a atitutude correta.
Saio do PV depois de quase 3 anos. Neste período conheci grandes pessoas com os quais tenho a certeza de que ainda terei o prazer de ombrear em muitas lutas futuras. Tive o prazer de dividir legenda com um grande ícone e exemplo em minha formação política, que foi Marina Silva. Cada conversa foi um grande aprendizado, e cada momento de convivência uma honra. Ademais, continuará a ser uma líder a ser seguida e a fazer a diferença em nosso País.
Agradeço o apoio e a receptividade que sempre encontrei no colega Nilton Reis, um verdadeiro trabalhador do Partido em Brasília e em outros que não preciso dizer os nomes, pois sabem que estiveram ao meu lado. São pessoas que poderiam estar dando boas contribuições para o Distrito Federal, mas cujo potencial está sendo desperdiçado. A estes agradeço pelos conselhos e momentos em que estivemos juntos pensando numa forma de se fazer boa Política. Continuaremos unidos em busca da mesma causa.
Quem me conhece sabe que sou autêntico e não aceito ficar de mãos atadas, olhos vendados e boca calada diante daquilo que acho injusto.
Não posso deixar de agradecer a oportunidade que o Partido Verde me deu de concorrer às eleições de 2010, mas agora entendo porque o Partido recebe tantas críticas e é chamado de verde porque nunca vai amadurecer.
Perdeu a grande oportunidade de alavancar no cenário nacional ao abrir mão de Marina Silva.
O que pude perceber é o Partido prefere a estagnação, pois seus dirigentes não aceitam largar o osso dos cargos comissionados que recebem em troca de alianças espúrias. Dessa forma, afastam o partido de seus princípios e ideais políticos e sociais.
Por isso termino aqui minha história com o PV na certeza que encontrarei em outro partido a oportunidade de trabalhar por Brasília, esperando ser recebido como uma pessoa que quer somar ao processo político, lutando e trabalhando de forma limpa, eficaz, transparente, democrática e livre para o bem de todo o Distrito Federal.
Eu não poderia permanecer em um Partido que não me proporcionava condições de me manter fiel aos meus princípios e aos princípios do próprio PV, nem aceitar modelos de ação nos quais eu não acredito e que não propiciam a mudança coletiva para melhor.
De repente me vi em um conflito de pensamentos entre forças existentes no partido e minhas convicções.
Por várias vezes solicitei trabalho, pois não aceitava cumprir o horário de expediente sem ter absolutamente nada para fazer, e isso não era só comigo, era e continua sendo com a maioria. Maioria essa que aceita tal condição com medo de ficar sem seu salário ao final do mês.
Imagino que o mesmo esteja acontecendo em outras Secretarias e talvez por isso o Distrito Federal esteja como está.
Pura falta de planejamento estratégico, falta de pessoas que saibam administrar e delegar serviço.
Vemos nos noticiários a Saúde em estado deplorável e penso na quantidade servidores do Governo do Distrito Federal que poderiam estar ajudando, atendendo pessoas, e que, infelizmente, estão subaproveitadas.
Daí, surgem os fiascos. Como o que presenciei ontem ao levar minha família para assistir à final do Campeonato Mundial de Patinação, no Ginásio Nilson Nelson: patinadores de alto nível caindo em razão de GOTEIRAS em plena pista de patinação, funcionários tendo que ir secar a pista com panos de chão no intervalo de cada apresentação. Fato vergonhoso e injustificável, principalmente, se consideramos que bem ao lado existem sabe-se lá quantas pessoas trabalhando na construção da menina dos olhos do Governador Agnelo: o Estádio Nacional de Brasília.
Por essas e outras, pelos compromissos que firmei com amigos e eleitores e pela vontade de lutar na política, apesar das adversidades constantes que são parte dela, é que tomo esta decisão em busca de coerência e ética.
Saio com a consciência tranqüila, certo de que esta é a hora de seguir para novos ares para não enterrar meus valores e poder continuar lutando pelo sonho da transformação social honesta, limpa, sustentável e digna.
Quero continuar minha luta por um Distrito Federal que sonhamos e merecemos.
Obrigado a todos que apoiarem nesta decisão, tomada porque acredito que é possível fazer política sem se vender.
Quando resolvi entrar na Política e me candidatar, o fiz por acho que a esperança do Distrito Federal está em termos representantes nascidos e criados aqui, que como eu tenham verdadeiro amor por sua terra, compromisso com seus eleitores.
Brasília é uma cidade jovem, que sempre foi governada e representada por pessoas de fora, acredito muito que na hora em que os Brasilienses começarem a assumir cadeiras políticas as coisas vão melhorar.
Coloco-me de braços abertos e ouvidos atentos para receber e ouvir a cada uma e a cada um que queira conversar sobre os pormenores de toda essa história.
Que venham Novos tempos! Conto com vocês nesta caminhada.
André Luz Cesar Passos (André Esqueleto)

“foi a 20 de novembro, data pra lembrar e refletir…”

Postado em homenagens, musique non stop com as tags , , , em 21/11/2011 por coelhoraposo

E hoje 316 anos depois…

A Epopéia de Zumbi (Nei Lopes), do álbum “Zumbi 300 anos – Canto Banto“, 1995.

>>> OUÇA AQUI <<<

E de repente
Era um, eram dez, eram milhares
Sob as asas azuis da liberdade
Nascia o Estado de Palmares
Mas não tardou
E a opressão tentou calar não conseguiu
O brado da vida contra a morte
No primeiro Estado livre do Brasil
Forjando ferro de Ogum
Plantando cana e amendoim
Dançando seus batucajés
Pilando milho e aipim
Fazendo lindos samburás
Amando e vivendo enfim
Durante cem anos ou mais
Palmares viveu assim
E a luta prosseguia
Contra a ignorância, a ambição
Até que surgiu Zumbi
Nosso Deus, nosso herói, nosso irmão
Ciente de que nenhum negro ia ser rei
Enquanto houvesse uma senzala
Ao invés de receber a liberdade
Zumbi preferiu conquistá-la
E depois de mais três anos de guerra
O punhal da traição varou Zumbi
Foi a vinte de novembro
Data pra lembrar e refletir
E hoje trezentos anos depois
Um brado forte e varonil
Ainda vem de Pernambuco e Alagoas
E se espalha pelo céu desse Brasil

Folga negro de Angola
Que ele não vem cá
Se ele vier Quilombola pau há de levar

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